Josep

Josep

Ficha técnica

  • Nome: Josep
  • Nome Original: Josep
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Bélgica
  • Ano de produção: 2020
  • Gênero: Animação
  • Duração: 71 min
  • Classificação: 10 anos
  • Direção: Aurel
  • Elenco:

País


Sinopse

Em fevereiro de 1939, após a derrubada do governo republicano eleito pelo futuro ditador Francisco Franco, vários espanhois procuraram refúgio na França. Lá, foram colocados em campos de concentração, passando fome e maus-tratos. Entre eles, o desenhista Josep consegue, a duras penas, seus lápis, para fazer um registro de seus dias.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

10/02/2021

Selecionada para o Festival de Cannes e exibida no Festival de Annecy, esta pungente animação francesa adulta toma como tema uma guerra - a Guerra Civil Espanhola -, poucos meses antes que se inicie uma outra ainda maior, a II Guerra Mundial. 
 
Estreante em longa-metragem, o diretor Aurel tem inequívoca intimidade com o desenho - ele é ilustrador dos jornais Le Monde e Le Canard Enchaîné. E, para alguns dos cenários utilizados no filme, vale-se de ilustrações reais, assinadas pelo personagem que inspira sua história, o desenhista catalão Josep Bartolí (1910-1995).
 
Em fevereiro de 1939, fugiram para a França milhares de republicanos espanhóis, procurando escapar à repressão dos franquistas vencedores. Não encontraram, no entanto, recepção acolhedora, sendo colocados em campos de concentração, onde enfrentaram fome e maus-tratos.
 
Um destes refugiados é o próprio Josep (voz do ator Sergi López). Entre a brutalidade dos guardas franceses, ele conta, inesperadamente, com a generosidade de um deles, Serge (Bruno Solo), que lhe fornece, por exemplo, papel e lápis para desenhar.
 
O roteiro de Jean-Louis Milesi retrata em profundidade essa situação dramática, não poupando a denúncia da crueldade francesa num dos episódios mais vergonhosos da história da alegada pátria da liberdade, igualdade e fraternidade. Graças à solidez dramática do roteiro, a qualidade técnica da animação, que é sublime quando a cor é introduzida no meio do cinza dominante, encontra uma expressão luminosa e grande. Sem perder pé da denúncia e do realismo, infiltram-se igualmente momentos oníricos, como uma curiosa aparição de sonho da pintora mexicana Frida Kahlo - uma musa grandiosa para dar pretexto a uma explosão de cores na tela num tempo àquela altura tão sombrio.
 
O fio condutor, a amizade entre Josep e Serge também apresenta nuances o bastante para não tornar-se piegas. Desta forma, Josep vibra com uma densidade parecida com a de Valsa com Bashir, em que o diretor Ari Folman compôs outra animação capaz de evocar os horrores de outra guerra, a do Líbano em 1982.Selecionada para o Festival de Cannes e exibida no Festival de Annecy, esta pungente animação francesa adulta toma como tema uma guerra - a Guerra Civil Espanhola -, poucos meses antes que se inicie uma outra ainda maior, a II Guerra Mundial. 
Estreante em longa-metragem, o diretor Aurel tem inequívoca intimidade com o desenho - ele é ilustrador dos jornais Le Monde e Le Canard Enchaîné. E, para alguns dos cenários utilizados no filme, vale-se de ilustrações reais, assinadas pelo personagem que inspira sua história, o desenhista catalão Josep Bartolí (1910-1995).
Em fevereiro de 1939, fugiram para a França milhares de republicanos espanhóis, procurando escapar à repressão dos franquistas vencedores. Não encontraram, no entanto, recepção acolhedora, sendo colocados em campos de concentração, onde enfrentaram fome e maus-tratos.
Um destes refugiados é o próprio Josep (voz do ator Sergi López). Entre a brutalidade dos guardas franceses, ele conta, inesperadamente, com a generosidade de um deles, Serge (Bruno Solo), que lhe fornece, por exemplo, papel e lápis para desenhar.
O roteiro de Jean-Louis Milesi retrata em profundidade essa situação dramática, não poupando a denúncia da crueldade francesa num dos episódios mais vergonhosos da história da alegada pátria da liberdade, igualdade e fraternidade. Graças à solidez dramática do roteiro, a qualidade técnica da animação, que é sublime quando a cor é introduzida no meio do cinza dominante, encontra uma expressão luminosa e grande. Sem perder pé da denúncia e do realismo, infiltram-se igualmente momentos oníricos, como uma curiosa aparição de sonho da pintora mexicana Frida Kahlo - uma musa grandiosa para dar pretexto a uma explosão de cores na tela num tempo àquela altura tão sombrio.
 
O fio condutor, a amizade entre Josep e Serge também apresenta nuances o bastante para não tornar-se piegas. Desta forma, Josep vibra com uma densidade parecida com a de Valsa com Bashir, em que o diretor Ari Folman compôs outra animação capaz de evocar os horrores de outra guerra, a do Líbano em 1982.

Neusa Barbosa


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