Malcolm & Marie

Ficha técnica

  • Nome: Malcolm & Marie
  • Nome Original: Malcolm & Marie
  • Cor filmagem: Preto e Branco
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2020
  • Gênero: Drama
  • Duração: 106 min
  • Classificação: 16 anos
  • Direção: Sam Levinson
  • Elenco: Zendaya, John David Washington

País


Sinopse

O cineasta Malcolm e a ex-atriz Marie vivem juntos há algum tempo. Na noite da première de seu novo filme, ele tem a consagração que esperava há muito tempo. Voltando para casa com Marie, tudo o que ele quer é comemorar. Mas Marie tem outros planos.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

08/02/2021

 A fotografia em preto-e-branco (de Marcell Kev) sugere um certo minimalismo - que pode soar pretensioso. Mas cria também uma dramaticidade que tira um pouco o foco da beleza de Zendaya e John David Washington, protagonistas desta jornada no inferno de um casal ao longo de uma noite.
 
O cenário é uma bela casa isolada em Malibu, sugestão de uma claustrofobia que remete à pandemia, na história escrita e dirigida por Sam Levinson - que teve uma parceria artística anterior com Zendaya, na série Euphoria. Zendaya e Washington funcionam também como produtores, o que evidencia seu envolvimento neste tour de force de atuação que, em alguns momentos, lembra uma certa abordagem teatral.
 
Se há um atrativo no filme, ele está nos dois atores, que percorrem regiões não atravessadas antes por eles em seus papeis - confirmando, se era preciso ainda de confirmação, o talento de Washington, o impecável protagonista de Infiltrado na Klan, e situando Zendaya num papel de mulher adulta com bastante propriedade. 
 
Dito isso, o filme flutua entre várias zonas de desconforto entre Marie (Zendaya) e Malcolm (Washington), ela, ex-atriz, ele diretor de cinema. Para ele, a noite é de celebração, depois da consagração de seu filme mais recente em sua première. Mas precisamente este triunfo é o estopim da mágoa de Marie. Embora o enredo do filme de Malcolm  seja inspirado em sua vida, como ex-viciada, e ela tenha dado inúmeras contribuições, ele não a incluiu nos agradecimentos públicos de sua noite de glória. E o acerto de contas por essa imperdoável omissão puxa o fio de uma série de diálogos ríspidos, desencadeando um duelo verbal que alterna vários momentos de explosão.
 
A opção por um enredo envolvendo dois profissionais do ramo do entretenimento, discutindo sobre o papel e os equívocos dos críticos, as concessões da arte e o quanto roteiristas podem vampirizar a vida de pessoas próximas evidencia o desejo de todos os envolvidos no filme de falarem deste que é o centro de sua atividade - talvez mais ainda o diretor e roteirista, quando aponta seus canhões nos diálogos para uma crítica especialmente descuidada do jornal Los Angeles Times (o que foi interpretado como um troco para críticas negativas do jornal para um filme anterior de Levinson, País da Violência). 
 
Acertos de contas, de todo modo, estão na ordem do dia num filme sobre um casal que resolve botar para fora suas mágoas - esta é especialmente a intenção dela e Malcolm não pode desviar-se. 
 
Mesclar dessa forma intenções talvez tão díspares quanto escavar por dentro um relacionamento amoroso e os inúmeros aspectos da criação artística no cinema, passando por uma breve menção à questão racial, é sempre um jogo de risco. Há certamente momentos melhores e piores neste embate, em que Marie entra com muita dor e Malcolm, com raiva - emoções que finalmente convergem em duas pessoas que compartilham alguns anos juntas e uma dose não desprezível de afeto. Algumas sequências soam mais autênticas do que outras mas em nenhum instante aquilo que não funcionou tão bem pode ser atribuído aos atores e sim ao roteiro e à direção. A entrega dos dois intérpretes é sempre muito intensa e isso é talvez o que de melhor se possa guardar do filme.

Neusa Barbosa


Trailer


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