A ponte de bambu

A ponte de bambu

Ficha técnica

  • Nome: A ponte de bambu
  • Nome Original: A ponte de bambu
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2020
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 77 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Marcelo Machado
  • Elenco:

País


Sinopse

No começo da década de 1960, a família do jornalista Jayme Martins se mudou para a China, onde se deparou com um mundo bastante diferente daquele que conhecia. Esse documentário, exibido no É Tudo Verdade (2020), resgata a história deles e sua relação com o país asiático.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

05/02/2021

A amizade entre o diretor, Marcelo Machado, e o jornalista Jayme Martins serve como mediadora da estrutura e da narrativa do documentário A ponte de bambu, que faz uma visita inusitada à China pelos olhos do entrevistado, que morou com sua família no país asiático por mais de duas década. Ele foi para lá no começo dos anos de 1960 e, desde então, entre idas e vindas, sempre esteve em contato com o país. Jayme é aquele que pode se chamar de um entusiasta da China, vendo-a com uma grande potência em ascensão.
Ele e sua mulher contam da surpresa que tiveram ao chegar lá, pois era descrito como um país atrasado. No entanto, encontraram um lugar repleto de modernidade e beleza. Suas duas filhas cresceram falando chinês. A família, ao longo dos anos, documentou sua vida na China, com fotos e gravações de áudio.
As memórias da Revolução Cultural são vívidas, e o relato da família nos dá uma dimensão do que foi a violência daquele período. Jayme explica que aderiu rapidamente e, com outros estrangeiros, chegou a constituir um Regimento Rebelde Revolucionário Internacionalista. Mais do que a transformação do país, a revolução também trouxe uma mudança na família. O jornalista tinha ideias radicais – era contra qualquer resquício de imperialismo (até chiclete ele achava demais), pediu para diminuir seu salário de modo de se equiparar ao dos chineses, entre outras coisas – o que trouxe problemas para dentro de casa.
A vida era sempre de incertezas: poderiam voltar para o Brasil? Como seria a reação das filhas, que cresceram longe do país natal de seus pais, ao chegarem aqui? É aqui, após o retorno dos Martins que a vida do diretor e de Jayme se cruzam, quando se conheceram nos anos de 1980, numa festa. Machado conta que seu sogro veio para cá depois de lutar contra os comunistas, mas eles dois nunca conversavam sobre política. Com o jornalista Martins, o cineasta encontra um espaço aberto para matar sua curiosidade.
As idas e vindas no tempo, ao longo do filme, às vezes, confundem um pouco. Mas o relato, em especial das filhas, que estudaram em Pequim, recompensa isso. São memórias ricas e reveladoras, contadas em primeira pessoa, de quem presenciou momentos históricos, como o massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989, cuja cobertura para a imprensa brasileira rendeu um prêmio ao jornalista.
Num momento em que a China é tão vilanizada no cenário internacional, especialmente no Brasil, A ponte de bambu projeta um olhar pessoal e apaixonado pelo país – todos da família dizem que voltariam imediatamente a viver lá sem qualquer dúvida –, o que joga uma luz sobre um lugar tantas vezes incompreendido pelo ocidente.

Alysson Oliveira


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