A vida dos mortos

A vida dos mortos

Ficha técnica


País


Sinopse

Depois que um rapaz tenta se matar, sua família se reúne para esperar notícias sobre a recuperação dele. Juntos numa mesma casa, relembram o passado repleto de mortes trágicas.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

18/01/2021

A vida dos mortos é um título que poderia servir a diversos filmes do francês Arnaud Desplechin – em especial àquele de 2008 chamado Um Conto de Natal. Outro se chama Os Fantasmas de Ismael, ou seja, a fantasmagoria ronda sua obra. Uma das preocupações na filmografia do cineasta francês são as consequências na vida daqueles que sobrevivem aos seus mortos. Muitas das suas tramas giram em torno disso, de seguir a vida mesmo com ou apesar das perdas. Por isso não é surpresa que seu primeiro filme – um média de 52 minutos – tenha esse título.
 
Outro tema caro ao diretor e roteirista: relações familiares. Aqui, uma família se reúne após uma tentativa de suicídio. Enquanto esperam notícias sobre o primo que está no hospital, todos e todas estão na mesma casa, e o caos, então, impera, como, também, é comum em filmes de Desplechin. É nessas obras sobre famílias destroçadas, bagunçadas que o cineasta se sai melhor, com uma câmera que parece flutuar entre um personagem e outro, sem nunca pousar definitivamente.
 
É do tumulto que sai a força desse filme de luto e espera. Os personagens, talvez pela reduzida duração do média, não são muito bem desenvolvidos, são mais tipos que representam características do que seres humanos plenamente formados. Mas, como um ensaio para o que virá na filmografia do cineasta depois, eles funcionam bem. Não há bem um ou uma protagonista, mas um grupo de personagens, quase um filme-coral, mais brigando do que se amando, confinados a uma casa, num momento de tensão.
 
Desplechin voltará a esses temas e motivos e os desenvolverá melhor em Reis e Rainha e, em especial, em Um Conto de Natal, novamente com uma família caótica reunida por conta de um problema de saúde, com um fantasma que os ronda. Ali, o cineasta encontrou um momento grande de sua carreira e, desde então, continua a procurar novamente.

Alysson Oliveira


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança