O império de Pierre Cardin

Ficha técnica

  • Nome: O império de Pierre Cardin
  • Nome Original: House of Cardin
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2019
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 95 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: P. David Ebersole, Todd Hughes
  • Elenco:

País


Sinopse

Nascido na Itália, em 1922, e emigrado, com sua família, para a França quando tinha apenas 2 anos, Pierre Cardin tornou-se uma referência na moda mundial, por seu estilo simples e arrojado e sua visão para tornar sua marca acessível a todos e em todo o mundo.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

12/01/2021

O documentário assinado pelos norte-americanos P. David Ebersole e Todd Hughes resgata com bastante abrangência a longa trajetória do estilista Pierre Cardin, morto em 29 de dezembro de 2020, aos 98 anos. Com acesso irrestrito ao protagonista, seus arquivos e diversos colaboradores próximos, reconstitui os principais passos de uma das maiores lendas da moda mundial de todos os tempos.
 
Se é verdade que Cardin, nascido na Itália em 1922, pode ser descrito como um homem que fez a si mesmo, não é menos certo que teve um bocado de sorte e soube usá-la em seu proveito. Imigrando para a França com a família, quando tinha apenas 2 anos, já aos 13 anos, demonstrou aptidão para desenhar roupas, na época, para bonecas. 
Vivendo durante a II Guerra em Vichy, onde fez um estágio com um alfaiate, ele só pode desenvolver plenamente seu talento quando, na cara e na coragem, foi para Paris, em 1945. Ali iniciou sua carreira na casa Paquin, uma das pioneiras da alta costura da capital francesa, desembarcando pouco depois na maison Christian Dior. Na Dior, foi primeiro alfaiate e do chefe recebeu apoio quando, em 1950, abriu seu próprio atelier.
 
Deste percurso luminoso do estilista fazem parte o pioneirismo no prêt-à-porter, em 1959 - uma ousadia que custou sua expulsão do sindicato da alta costura e o banimento temporário dos grandes desfiles -, os desfiles masculinos (com roupas que desafiaram a sisudez dominante), a diversidade étnica de seus/suas manequins, as linhas retas de vestidos que serviam a toda e qualquer silhueta, um figurino dos Beatles (os famosos terninhos sem gola), a incorporação da influência da era espacial e o licenciamento de uma linha imensa de produtos, de móveis, óculos, perfumes, toalhas, gravatas, bolsas e até um automóvel (Javelin) e um avião (Westwind). 
 
Assim estendeu os tentáculos da marca sobre mais de 60 países, sem ignorar o lado de lá da então fechada Cortina de Ferro, ou seja, URSS e China. Tanto sucesso lhe garantiu fortuna, é certo, mas no próprio documentário se insinua que em algum momento essa abrangência mundial determinou uma certa perda do controle de qualidade sobre os afiliados que maculou, em parte, a mística da própria marca. 
 
Recorrendo a diversas entrevistas televisivas do próprio Cardin em diferentes épocas, o filme constroi um painel sólido do pensamento do estilista, conhecido tanto por seu arrojo quanto por uma franqueza não raro desconcertante. Ouvindo-se palavras do próprio personagem, pode-se penetrar nos meandros de uma sensibilidade especial para os novos ventos, que lhe permitiu manter-se à tona num mercado ferozmente competitivo todo esse tempo, sem ter vendido a marca a terceiros nem se associado a empresas de marketing. 
 
Também são ouvidos diversos personagens, como o estilista Jean-Paul Gaultier, que foi pupilo de Cardin, a modelo Naomi Campbell, a atriz Sharon Stone e diversas pessoas com histórias para contar sobre Cardin.
 
O documentário também explora uma parte da intimidade de Cardin que, com sua sinceridade habitual, conta que ter feito os figurinos do filme A Bela e a Fera (1946), de Jean Cocteau, abriu-lhe as portas de muitos contatos e não só por seu talento. “Eu era um rapaz bem bonito, todo mundo queria dormir comigo”, comenta, irônico, assinalando ter na época conhecido várias personalidades do mundo do cinema, como os diretores italianos Pier Paolo Pasolini e Luchino Visconti.
 
Em geral discreto com sua vida pessoal, Cardin virou alvo das publicações de celebridades quando se envolveu amorosamente com a atriz Jeanne Moreau, nos anos 1960, provocando a partida de seu parceiro e estilista André Oliver. 
 
O sucesso com a moda permitiu-lhe também exercer sua maior paixão, o teatro - seu grande sonho, aliás, fora tornar-se ator. Não o conseguindo, Cardin foi produtor, comprou teatros, como o Espace Cardin, onde se apresentaram atrações tão diversas quanto Marlene Dietrich, Dionne Warwick e Alice Cooper, além de um repertório imenso de peças teatrais, numa delas surgindo o jovem Gérard Depardieu.
 
Expulso do célebre restaurante Maxim’s por supostamente não estar vestido de acordo com as rígidas regras da casa, comprou-o 20 anos depois, em 1981, transformando-o também numa bem-sucedida franquia. Na bela sede parisiense, abrigou uma imensa coleção de peças Art Nouveau, uma de seus estilos preferidos. 
 
Sem herdeiros à vista, é incerto o futuro do império Cardin. O documentário torna-se, então, o inventário da memória de um dos grandes da moda mundial, que tomou rumos tão diferentes e imprevisíveis desde sua passagem.

Neusa Barbosa


Trailer


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