The wayward girl

The wayward girl

Ficha técnica


País


Sinopse

Gerd, garota impulsiva e rebelde, namora Anders, um rapaz certinho. Ainda inseguros sobre a vida e seu relacionamento, eles vão viver uma aventura numa cabana isolada na floresta. Ali, dias depois, vão encontrar um estranho, Bendik.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

30/12/2020

Sempre lembrada como uma das estrelas absolutas de Ingmar Bergman, além de diretora e escritora, Liv Ullman surge fresca e promissora neste filme norueguês que marca seu primeiro papel como protagonista.
 
Sua personagem, Gerd, aproveita toda a energia dos 22 anos que Liv tinha então, compondo o papel de uma garota impulsiva e louquinha, que está disposta a não perder um minuto de seu tempo com rotinas chatas, como escola. Ela é um furacão de beleza, sensualidade, curiosidade e ímpeto para se atirar na vida, sem que a prudência tenha ainda dado sinal de vida. Uma personagem certeira para encarnar o mistério feminino, dentro daquele que foi o último filme da veterana Edith Carlmar, a primeira diretora da Noruega. 
 
É estimulante ver como Liv se entrega com energia juvenil a esta personagem espontânea e contraditória, sempre à flor da pele e fiel apenas ao próprio instinto e suas emoções fugazes de adolescente. Um tipo capaz de despertar a paixão do certinho Anders (Atle Merton) e o desespero de sua mãe, Sonja Gertsen (Nanna Stenersen), mãe solteira e vendedora que vive viajando, e também os conservadores pais de Anders, o sr. e a sra. Hemse (Tore Foss e Randi Braenne). 
 
No centro da história, está uma aventura do casal de namorados que, por ideia de Anders, viajam até uma cabana no campo, onde ele pensa viver um idílio sem fim com sua musa recalcitrante. É visível que Gerd não enxerga o amor com um filtro tão romântico quanto Anders, reiterando o tempero sensual de toda a história, que adapta romance de Niels Johan Rud.
 
A própria convivência com a natureza não é tão idílica assim para Gerd, que não dispensa seus saltos altos e reclama do longo caminho até a cabana: “Mas essa sua floresta não acaba nunca?”. De todo modo, é uma aventura de descoberta mútua para os dois jovens, vivendo este intervalo longe da autoridade paterna em que terão também que imaginar como é que continuarão vivendo ali. O que é que vão comer quando seus mantimentos e dinheiro acabarem?
 
Em algum momento, pode-se lembrar de um outro filme nórdico sobre um jovem casal isolado na natureza, Monica e o Desejo (1953), de Ingmar Bergman, com quem Liv só atuaria a partir de 1966, quando protagonizou Persona com Bibi Andersson. No filme de Bergman, no entanto, o tom é outro, até porque a paixão entre os dois jovens ali era mais intensamente recíproca. Gerd é folha solta no vento, à procura de si mesma, de sua identidade, lutando contra suas inseguranças e as clássicas satanizações sofridas por mulheres de sexualidade livre, que ela, amargamente, não ignora - como demonstra na sua curiosa versão de “bem-me-quer, mal-me-quer” desfolhando uma flor. 
 
O filme oscila de um tom cômico, explorado a partir das pontuais participações dos pais, para um mais sombrio quando os jovens recebem a inesperada visita de um estranho, Bendik (Rolf Soder). Mais velho, irônico e de comportamento misterioso, ele muda a temperatura da história. Se não chega a instaurar uma atmosfera tão angustiante quanto A Hora do Lobo (1968), outro filme que Liv faria anos depois com Bergman, Bendik sobressalta Anders e exerce um fascínio dúbio sobre Gerd com suas atitudes intempestivas e seu flerte com o crime.
 
De todo modo, toda vez que Liv ocupa a tela, ela a incendeia com sua disponibilidade e energia. Estava ali o embrião da estrela que todos aprendemos a amar depois, em filmes como Gritos e Sussurros, Sonata de Outono e Tomara que Seja Mulher, entre tantos.

Neusa Barbosa


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança