O Céu da Meia-Noite

Ficha técnica


País


Sinopse

Augustine é um veterano cientista que decide ficar sozinho, num observatório no Ártico, depois que todos os demais sobreviventes de um desastre nuclear que devastou a Terra partem para abrigos subterrâneos. Ele encontra uma garotinha que ficou para trás e recebe contato de uma nave - que, sem saber do que houve na Terra, está retornando.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

28/12/2020

Voltando a atuar depois de quatro anos - na última vez, foi visto em Ave, César e Jogo do Dinheiro, em 2016 -, George Clooney assume também a direção do drama O céu da meia-noite, em que se mesclam os dilemas da doença mortal e dos remorsos de seu protagonista, o cientista Augustine, o estado também terminal da Terra após um desastre nuclear e as possibilidades de uma última redenção. 
 
Clooney é um ator arguto e segura a atenção na pele deste homem velho e fragilizado, que escolheu ficar solitário num observatório no Círculo Polar Ártico, enquanto todos os demais sobreviventes partiram para refugiar-se em abrigos subterrâneos, procurando escapar à morte iminente de todo o planeta.
 
Uma última missão se apresenta em dose dupla. Augustine descobre que uma menininha, Iris (Caoilinn Springall), foi deixada para trás e que uma nave espacial, Aether, aproxima-se da Terra, depois de uma missão. Agora, é imperativo que Augustine avise os cinco astronautas para dar meia volta e retornarem ao espaço, onde estiveram prospectando, justamente, planetas capazes de dar suporte à vida humana, sem saberem do desastre que tornou a própria Terra inabitável. 
 
Há um contraste neste ambiente inóspito, gelado e sombrio em que se movimentam Augustine e Iris - que, por alguma razão, resiste em falar - e a atmosfera alegre dentro da nave que retorna, trazendo a bordo o comandante Tom (David Oyelowo), sua mulher, a oficial de comunicações Sully (Felicity Jones), que está grávida, e os tripulantes Maya (Tiffany Boone), Sánchez (Demián Bichir) e Mitchell (Kyle Chandler) - este último, ansioso para reencontrar sua mulher e filhos. Augustine, afinal, não conseguiu manter contato com a nave, que prossegue para um reencontro fatal com a Terra.
 
Augustine permanece o personagem mais complexo dentro da trama, o que se torna um problema, impedindo a história de alçar maiores voos. Não só se conhecem os desafios de Augustine no presente, assumindo ainda a responsabilidade pela vida da criança sob sua guarda, como se oferecem inúmeros flashbacks de seu passado, que aos poucos vão explicando seu caráter e, finalmente, uma escolha decisiva. Aos cinco astronautas, o filme não oferece tantas nuances, não permitindo criar um contraponto eficiente entre os dois ambientes que poderia garantir um maior equilíbrio dramático. 
 
Algumas sequências que traduzem o cuidado técnico e criam oportunidades para o setor de efeitos visuais valem a pena - como quando Augustine, obrigado a deslocar-se até outra base para estabelecer contato com a nave, enfrenta com a menina os mortais perigos de uma camada de gelo se quebrando. A empatia do cientista com esta criança quase muda oferece, aliás, alguns dos momentos mais simpáticos do filme, quando se consegue estabelecer uma empatia por algo genuinamente humano em curso.
 
No espaço, os tripulantes enfrentam alguns perigos quando sua nave se desvia inexplicavelmente do curso, entrando por caminhos não mapeados, e que provocam a necessidade de um passeio externo de três deles para reparos - uma sequência que evoca Gravidade, um filme ao qual Clooney explicitamente se referiu como uma de suas referências aqui.
 
É pouco, no entanto, para que O Céu da Meia-Noite assuma a grandiosidade de algumas sagas espaciais. É uma história que acaba ficando sujeita mais ao universo do melodrama, sem alcançar a urgência de filmes sobre um homem e uma criança em ambiente inóspito do tipo de A Estrada, com Viggo Mortensen e Kodi Smit-McPhee, num cenário de fim de mundo, como aqui, mas com muito maior intensidade no todo.

Neusa Barbosa


Trailer


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