O Amor de Sylvie

O Amor de Sylvie

Ficha técnica


País


Sinopse

Sylvie conhece um aspirante a saxofonista na loja de discos de seu pai. Eles logo se apaixonam um pelo outro, mas, ao longo dos anos, vivem uma conturbada história de amor, que tenta resistir ao tempo e à distância.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

28/12/2020

O Amor de Sylvie é um filme à moda antiga, e da moda antiga tira o que podia haver de melhor, filtrando-a para questões do presente – em especial, de gênero e raça. Escrito e dirigido por  Eugene Ashe, esse é um tributo aos romances e melodramas de Hollywood dos anos de 1950 e 1960, em especial Douglas Sirk. O diretor poderia muito bem cair no pastiche, uma cópia destituída de sentimentos, mero exercício de estilo, mas ele imbui seu trabalho de emoção e de duas interpretações potentes de Tessa Thompson, como Sylvie, e Nnamdi Asomugha, como seu grande amor, Robert, um saxofonista em busca de sucesso.
 
O roteiro de Ashe tem tons épicos para uma história eminentemente intimista. Sylvie e Robert se conhecem ainda jovenzinhos, no verão de 1957, quando ela mata o tempo na loja de discos de seu pai, enquanto seu namorado está na Guerra da Coréia. Robert entra em sua vida quando entra na loja em busca de um disco de Thelonious Monk. As fagulhas entre eles são claras e inegáveis. Aí começa a história de amor de Sylvie, que durará por mais de meia década, repleta de idas e vindas, sentimentos e dores.
 
É um momento pré-Revolução Sexual, e as personagens, obviamente, agem como tal, encobrindo sentimentos e desejos. O filme dialoga claramente com esse momento, do final dos anos de 1950, de uma cultura dos Anos Dourados, resultando num romance que pode parecer exagerado para alguns, mas que é repleto de beleza estética e emoção. O diretor, mais do que reciclar os elementos típicos, ele os reescreve a partir da cultura negra. Para isso ele tem uma estratégia curiosa: a crítica ao racismo, por exemplo, se faz pela ausência deste. O mundo em que O Amor de Sylvie se dá parece ser idealizado: casais interrraciais são bem aceitos e os personagens negros praticamente não sofrem opressão, quando muito, são levemente explorados por brancos.
 
A química entre Thompson e Asomugha é forte, e isso segura a narrativa, que, talvez com outro elenco, não funcionasse tão bem. A atriz, que esteve em papeis médios e pequenos em filmes grandes (como Vingadores: Ultimato e Homens de Preto – Internacional), tem sua grande chance e mostra-se perfeita no papel da mulher apaixonada e, em certa medida, ambiciosa com sua carreira na televisão.
 
A fotografia de Declan Quinn tira da tecnologia contemporânea o melhor possível para reproduzir o tecnicolor do passado, e o visual retrô nunca é gratuito nem exagerado. É como se fosse um filme feito no passado, para as sensibilidades do passado, que pede ao público do presente que, por duas horas, deixe de lado o mundo contemporâneo e olhe numa janela para uma época em que os filmes de amor eram sinceros e destituídos de cinismo.

Alysson Oliveira


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