Canário

Ficha técnica


País


Sinopse

Johan tem 18 anos e é fã do Boy George. Vivendo na África do Sul da década de 80, ele tem muitos conflitos internos para aceitar sua homossexualidade sempre oprimida pelos outros. Quando entrar para o coral do exército, irá descobrir novos amigos e começará sua jornada para assumir seu eu verdadeiro.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

21/12/2020

A comédia dramática Canário passa-se na África do Sul dos anos de 1980, racialmente dividida e tensa, e com um exército diretamente ligado à igreja. Na primeira cena, somos apresentados ao protagonista, Johan (Schalk Bezuidenhout), vestido de noiva com duas amigas, na frente de um espelho, e ele se compara à Lady Di. Elas apostam que ele não sairia na rua com esse figurino, ele topa, e o filme se torna uma pequena fantasia ao som de Boy George, num subúrbio. Mas a realidade o chama e o rapaz acaba no exército, onde, graças à sua voz, irá participar do coral.
 
Os rapazes do coral cristão do exército são chamados de Kanaries. Lá Johan encontrará novos amigos, com quem se identificará, tanto quanto pessoas abusivas. Ele acaba mais próximo de Ludolf (Germandt Geldenhuys), gentil, ingênuo e espalhafatoso, e Wolfgang (Hannes Otto). O ambiente hostil une os três rapazes e ajuda o protagonista a baixar sua guarda. Outra figura importante é o maestro do coral, o reverendo Engelbrecht (Jacques Bessenger), generoso e compreensivo com os rapazes diante dos abusos físicos e emocionais do exército.
 
Dirigido pelo dramaturgo Christiaan Olwagen, e escrito por ele e Charl-Johan Lingenfelder, Canário é uma ode à cultura pop dos anos de 1980 como forma de expressão e resistência, em especial Boy George, que naquela época ainda não havia se assumido gay. No filme, a música é uma forma de salvação, de auto-aceitação e compreensão. Momentos de fantasia – com a indumentária completa do cantor da banda Culture Club – se contrapõem ao ambiente rígido e frio do exército.
 
Canário é um filme que transita entre o drama e uma comédia leve, com uma fotografia de tons pastel, assinada por Chris Vermaak. É de se argumentar que a questão racial aparece pouco no filme, mas o longa é todo contado do ponto de vista de Johan e seu mundo é exclusivamente constituído de brancos de classe média. Mas, ainda assim, pela ausência,  o apartheid está presente, exatamente pelo fato de o filme se passar num ambiente quase que exclusivamente caucasiano e pela fala nervosa de uma mulher após assistir à apresentação do coral.
 
Este é um filme generoso com seus personagens e a jornada deles no sentido da aceitação. O caminho de Johan não é fácil, e a junção de exército com igreja só faz aumentar seu sentimento de culpa e suas dificuldades para se assumir gay e viver sua vida plenamente – o que, obviamente, era ainda mais complicado na década de 1980 do que atualmente. “Do you really want to hurt me”, do Culture Club, não foi escolhida por acaso, o sentido da música é exatamente esse, de perguntar ao mundo porque tanta raiva contra alguém ser exatamente aquilo que é.

Alysson Oliveira


Trailer


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