Saudade Mundão

Ficha técnica

  • Nome: Saudade Mundão
  • Nome Original: Saudade Mundão
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2019
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 90 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: Julia Hannud, Catharina Scapellini
  • Elenco:

País


Sinopse

Na Cadeia Pública de Franca (SP), as presas criam uma comunidade para enfrentar o aprisionamento, a distância dos filhos e os sentimentos contraditórios sobre seus crimes e seus sonhos para o futuro.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

02/12/2020

Muitas questões percorrem o documentário Saudade Mundão, em que as diretoras Julia Hannud e Catharina Scapellini radiografam o cotidiano da Cadeia Pública Feminina de Franca, no interior paulista. Sem paternalismo, as diretoras se aproximam das presas, escolhendo diversas personagens para dar conta de um retrato honesto dessas vidas atravessadas pela criminalidade, sim, mas também por sonhos e dilemas.
 
Impossível não notar, de saída, o perfil da população - origem pobre, escolaridade e profissionalização precárias. A maioria das presas está ali por roubo ou tráfico de drogas. Léia trafica desde os 18 anos, há 30 anos. Pelo corpo, carrega as tatuagens que lembram seus entes queridos, especialmente seus cinco filhos. Por causa de um deles, que sofreu um acidente, ela pensa agora em sair de vez da vida do crime.Não é fácil, afinal, esta é sua sétima sentença. 
 
A decisão de largar o crime, comum entre as presas, não é simples, até por lhes faltarem, muitas vezes, os meios de romper um círculo vicioso. Como é o caso de Nina, que foi presa pela primeira vez aos 12 anos. Dos 10 aos 22, fumou crack, o que a levou a uma ruptura com a família e ao mergulho numa vida bandida que é visível até no seu corpo, marcado, apesar de ainda jovem. Todas as entrevistadas concordam num ponto: o dinheiro fácil do tráfico é um atrativo quase irresistível. 
 
Nesta cadeia, até pelo tamanho muito menor do que uma penitenciária (tinha 142 detentas na ocasião do filme), há um clima de certa cooperação mútua. Elas organizam refeições juntas, arrumam as celas, tingem os cabelos e fazem maquiagem e unhas umas das outras. Há um sentido de comunidade, que se sente, por exemplo, quando uma delas recupera a liberdade e um clima de festa se espalha no ar.
 
Sente-se também o peso de duas organizações na condução deste universo. Uma, a Igreja Universal, cujos pastores visitam frequentemente o local, organizando cultos, ouvindo, convertendo e doando presentes para os filhos das presas - como quando acontece a festa do Dia das Crianças. A outra, o PCC, ou “Comando”, como é chamado, e que uma das presas descreve como “uma família”. O PCC, aliás, autorizou a filmagem, caso contrário ela não poderia acontecer. É uma presença aparentemente invisível, mas está em toda parte, suprindo, na vida destas mulheres, funções que o Estado em geral não desempenha.
 
É com realismo, portanto, que as diretoras se aproximam das presas, ouvindo os relatos de seus crimes, sobre os quais perguntam detalhes, não pretendendo construir perfis idealizados nem falsos. O filme é consistente em seu esforço de composição de um mundo restrito, que é fruto de inúmeras carências e falhas das próprias personagens e também da sociedade de onde elas vêm, buscando uma honestidade que leva à reflexão.

Neusa Barbosa


Trailer


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