O Orfanato

Ficha técnica


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Sinopse

Qodrat tem 15 anos, está fora da escola e vive de pequenos expedientes, como revender com ágio os baratos ingressos de cinema na Cabul de 1989, sob domínio soviético. Detido pela polícia, é encaminhado a um orfanato estatal, onde pela primeira vez terá acesso a educação, enfrentará valentões e sonhará com liberdade.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

30/11/2020

 A jovem e promissora diretora afegã Shahrbanoo Sadat visita, pela segunda vez - a primeira foi em Lobo e Ovelha (2016) -, o diário não publicado de Anwar Hashimi, agora para compor um relato sobre a adolescência na passagem do regime soviético para o Talibã no Afeganistão em O Orfanato.
 
A história começa na Cabul de 1989, onde o garoto Qodrat (Qodratollah Qadiri), de 15 anos, concilia sua paixão pelos filmes de Bollywood com um ganha-pão ilegal. Órfão, ele dorme num carro abandonado e se sustenta vendendo, no câmbio negro, os baratos e disputados ingressos de um cinema da capital afegã. Um dia, é detido pela polícia e levado a um orfanato estatal.
 
No orfanato, é evidente a marca do domínio soviético, com professores da URSS que ensinam russo aos garotos. Mas esse é também o primeiro encontro de Qodrat com uma educação formal, ele que mal sabe ler e escrever na própria língua. Também encontra algumas amizades, como com Hasib (Hasibullah Rasooli), um ardoroso fã de Maradona que nunca se separa de uma surrada camiseta da seleção argentina, e o tímido Fayaz (Ahmad Fayaz Osmani). 
 
Como sempre nestes lugares, os garotos enfrentam os abusos de dois valentões, Asad (Asadullah Kabiri) e Ehsan (Ehsanullah Kharoti), sem que o supervisor, Anwar (Anwar Hashimi, autor do diário em que se baseia o filme) consiga fazer muito a respeito. 
 
A principal fuga de Qodrat deste cotidiano insípido e sem perspectivas é sua própria fantasia, nutrida de referências cinematográficas de Bollywood - vista em sequências primorosas, em que o garoto imagina um romance com uma menina da instituição e em que se vê enfrentando sozinho um batalhão de mujahedins armados. 
 
O tom naturalista, traduzido na escalação de notórios atores não-profissionais vivendo situações certamente muito próximas de seu cotidiano e referências, é o grande apelo do filme. O retrato desta adolescência nos tempos soviéticos tem um de seus pontos altos no segmento que acompanha uma viagem dos garotos e garotas do orfanato à URSS. Interagindo com as crianças locais, os afegãos descobrem um universo quase mágico em suas diferenças, visitando o mausoléu de Lênin, em Moscou, e travando desafios de xadrez com os bem-nutridos adolescentes soviéticos. 
 
Este estado de coisas, no entanto, está por um fio. Os mujahedins, que já controlam a totalidade do interior, aproximam-se da capital. A queda do regime pró-soviético do presidente Najib está por um fio, prestes a ser substituído pelo Talibã, que mudará não só os retratos nas paredes do orfanato e as roupas das mulheres, como imporá um regime de violência e fanatismo fundamentalista.

Neusa Barbosa


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