O Caso Collini

Ficha técnica


País


Sinopse

Empresário respeitado, Hans Meyer é assassinado num hotel por um imigrante italiano, Fabrizio Collini, há muito radicado na Alemanha. Negando-se a dar qualquer explicação de seu ato, Collini oferece enorme dificuldade ao seu advogado de defesa, Caspar Leinen - que conhecia bem o morto. No entanto, ele irá descobrir o que Collini está escondendo.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

17/11/2020

Hábil composição de drama de tribunal com múltiplas camadas, O Caso Collini, de Marco Kreuzpaintner, resgata a figura carismática do ator italiano Franco Nero, na pele de um réu enigmático.
 
Na primeira sequência, ele é visto entrando num luxuoso hotel para cometer um crime. Passo seguinte, ele está na recepção do hotel, sujo de sangue e contando que há um morto na suíte presidencial. Esta maneira de não mostrar de cara o que se passou naquele quarto é uma das boas escolhas do diretor Kreuzpaintner, que desenvolve múltiplas questões éticas, adaptando o romance de Ferdinand von Schirach.
 
O silêncio obcecado do réu e as inúmeras evidências contra ele são apenas os primeiros problemas do jovem advogado a quem seu caso foi confiado, o defensor público Caspar Leinen (Elyas M’Barek). Formado há três meses, inexperiente, ele parece a presa ideal para um promotor tarimbado, Reimers (Rainer Bock), e um advogado representando a família do morto, Mattinger (Heiner Lauterbach), que foi seu professor. 
 
Fora isso, há um aspecto pessoal - o morto era ninguém menos do que um rico empresário, Hans Meyer (Manfred Zapatka), que representou uma figura paterna na vida de Caspar, garoto de origem turca criado apenas pela mãe. 
O diretor mostra segurança ao abrir várias linhas em torno do julgamento, sem permanecer mais tempo do que o necessário no tribunal. E a história ganha elementos de thriller quando alguns detalhes levam o advogado a explorar melhor a vida pregressa de Collini, que se nega a dar explicações e parece desinteressado do próprio destino. 
 
Esse paralelismo de tramas e épocas conferem densidade a uma história que, sem muita surpresa neste aspecto, remexe no velho baú de fantasmas do nazismo, espreitando para seus efeitos tóxicos sobre o presente. E, se não se furta a um ou outro clichê, evita mergulhar no habitual heroísmo de tramas deste tipo no universo hollywoodiano. O próprio envolvimento romântico de Caspar com a neta de Mayer, Johanna (Alexandra Maria Lara), entra no jogo muito mais a serviço de traçar um fio de ambiguidade que serve perfeitamente ao seu propósito. 
 
Se o mesmo não se pode dizer de todo o elenco, a interpretação de Franco Nero de seu personagem misterioso é nunca menos do que intensa, consistindo num dilacerante centro moral de uma narrativa complexa e sóbria.

Neusa Barbosa


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