Malina

Malina

Ficha técnica


País


Sinopse

Uma escritora repleta de fantasmas e fantasias se envolve com dois homens de personalidades distintas, Malina e Ivan, e isso transforma a vida dela.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

16/11/2020

Só o pedigree literário de Malina já seria razão para se ter curiosidade sobre o longa de 1991, dirigido por Werner Schroeter, baseado no romance cult da austríaca Ingeborg Bachmann, de 1971, dois anos antes da morte dela, e com roteiro assinado pela sua conterrânea Elfriede Jelinek - que, na década seguinte ganhou o Nobel de Literatura e também é autora de A Professora de Piano. Some-se a isso mais uma performance cirúrgica de Isabelle Huppert, como uma escritora com uma mente prodigiosa. Malina é um filme raro, por muito tempo, dificilmente acessível, por isso sua disponibilidade temporária no Mubi é de se comemorar.
 
A protagonista, uma escritora cujo nome jamais sabemos, é cheia de imaginação, cuja vida é um turbilhão de acontecimentos, encontros e desencontros. Schroeter traduz em imagens a prosa vertiginosa e fragmentada de Bachmann, mantendo a coerência de uma adaptação corajosa de um romance que dificilmente seria levado ao cinema – mas foi, e com louvor. Aqui, também temos uma narrativa estilhaçada, com suas partes nem sempre organizadas coerentemente. Essa é uma maneira de dar forma à mente profusa e confusa da personagem.
 
O longa abre com algo que irá marcar a personalidade da protagonista e o filme todo: a brutalidade do pai dela – um sujeito abusivo, violento, grosseiro. Depois disso, são dois homens que disputam a atenção, a mente e o corpo da escritora: Malina (Mathieu Carrière) e Ivan (Can Togay). Acompanhamos cenas de amor e desamor, trazendo novas camadas à personalidade dessa mulher, cuja vida é uma combinação de seus dramas, fantasias, sonhos e pesadelos.
 
Huppert está em um de seus momentos mais hipnóticos, como se atuasse numa espécie de transe, numa personagem complexa e difícil. Conhecemos o que ela pensa por meio de uma entrevista. Ela dá aula de filosofia com um entusiasmo sem igual. Ela escreve e escreve mais, e joga os papeis no chão. Ela toma remédio demais, surta numa cabine telefônica. O filme traz, assim, momentos dessa mente brilhante, num processo criativo ou autodestrutivo – possivelmente as duas coisas.
 
A fotografia do austríaco Elfi Mikesch é composta de contrastes, jogos de luz e sombra e cores fortes, adicionando  mais uma camada a Malina sobre o retrato dessa mulher. Schroeter combina fantasia e realismo sem pudor, com cenas assumidamente teatrais, como se, no palco da vida, a escritora-protagonista não fosse capaz de lidar com sua psique apenas com o que lhe é dado, sendo preciso ir além do mundo que ela tem à sua frente.


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