Samy e Eu

Samy e Eu

Ficha técnica


País


Sinopse

Samy Goldstein é um roteirista de TV. Complicado, paranóico e em crise, ele vê seu emprego correr risco quando parece que se esgotou seu estoque de piadas. Um acaso coloca em seu caminho Mary, uma bela e tempestuosa colombiana, que arranja um novo produtor para o seu show, transformando Samy no seu protagonista.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

11/11/2020

Na comédia argentina, feita há 18 anos atrás mas ainda iinédita até agora no Brasil, Ricardo Darín entra na pele de Samy Goldstein, um roteirista paranoico e complicado, às voltas com uma tremenda crise profissional. Escrevendo para um programa humorístico de televisão, Samy está sendo contestado e ele mesmo sente que se esgotou seu estoque de piadas - muitas delas, girando em torno de si mesmo e de sua impagável iídiche mama (Henny Trayles).
 
Samy sonha em poder dedicar-se à literatura, àquele romance que ele sempre quis escrever. Sonha também com um relacionamento mais apaixonado com a namorada, Esther (Alejandra Flechner), uma escritora um tanto cerebral e fria. Mas como não há nada que não possa ser tirado do eixo, mesmo um homem acomodado e medroso como Samy, aparece no seu caminho a impetuosa Mary (Angie Cepeda) - que ele conhece quando ela o agride, por tê-lo confundido com alguém.
 
Mary é, em tudo, o oposto de Samy - direta, determinada, apaixonada, à flor da pele. E linda. Puro instinto, ela percebe potencial no tipo retraído de Samy e move céus e terras, ou seja, arranja um misterioso alto patrocinador para o seu show, tornando-o protagonista à frente das câmeras, atuando como ele mesmo, basicamente.
 
A ideia amalucada, que apavora Samy, contra toda a expectativa, dá certo, entusiasmando sua produtora, Liliana (Rita Cortese) e todo mundo na emissora. Do dia para a noite, o tímido Samy vai do fracasso iminente à celebridade explosiva - para deleite da mãe, que se torna também parte do elenco do programa, quase um reality show familiar.
Fora a notória inspiração em Woody Allen na composição do protagonista, o filme de Eduardo Milewicz pisca um olho também às comédias românticas clássicas de todos os tempos, embarcando nas faíscas de temperamentos opostos que se atraem. A colombiana Angie Cepeda (Pantaleão e as Visitadoras) encarna com valentia a personagem que não é nenhuma intelectual mas ganha domínio de sua inegável inteligência intuitiva, além de comandar um poder de sedução inebriante com senso de humor e elegância, sem um pingo de vulgaridade. Ao seu lado, o astro Ricardo Darín exercita o seu melhor charme discreto, num tom abaixo de suas interpretações mais famosas, como sempre dando conta do recado. 
 
A composição da família tradicional judia, da qual faz parte igualmente a irmã dele, Débora (Alejandra Darín, irmã verdadeira de Ricardo) é uma das melhores coisas da história, ao lado do tom deste romance que investe no humor e acerta na inteligência. 

Neusa Barbosa


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