Casa de antiguidades

Ficha técnica


País


Sinopse

Cristóvão é um antigo funcionário de um laticínio em Goiás, que aceita ir para o sul do Brasil para não perder o emprego. Numa cidadezinha provinciana, de esmagadora maioria branca e racista, ele é confrontado com abusos e intolerância.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

22/10/2020

Selecionado para a 73ª edição do Festival de Cannes - que seria em maio, mas foi cancelada devido à pandemia -, o filme brasileiro Casa de Antiguidades, primeiro longa-metragem do premiado diretor paulista João Paulo Miranda Maria, passou por festivais como Toronto e San Sebastián.
 
O mítico ator Antônio Pitanga encarna Cristóvão, um homem simples do interior, que vem de Goiás para uma cidade do sul do Brasil, transferido em seu trabalho numa fábrica de laticínios. Tudo nesse novo ambiente é hostil e suscita estranhamento, desde as falas em alemão do patrão (o ator belga Sam Louwyck), numa região de maioria branca e índole separatista. 
 
Desde o início, o diretor estabelece um diálogo com vários momentos do cinema brasileiro, um fator que fica nítido já na presença de Pitanga, veterano de 81 anos que habitou tantos clássicos do Cinema Novo, cuja memória vibra aqui também, num certo sentido alegórico da história. A narrativa desenvolve-se em torno da inadequação, do mal-estar, da raiva contida de Cristóvão, que carrega todas as dores e contradições do próprio processo histórico brasileiro, em sua condição de trabalhador negro, de homem rude e pouco educado.
 
Ninguém melhor do que Antônio Pitanga para traduzir, num simples olhar, todo esse atraso do Brasil em resolver suas contradições e desigualdades num projeto de país abrangente. Nada mais longe disso do que este ambiente provinciano em que a história se desenrola, uma cidadezinha com vocação para supremacismo branco, encarnado na rejeição a pessoas como Cristõvão, que, na visão dos moradores, não passa de um “nordestino”, o que em sua visão é um xingamento. 
 
Além de Cristóvão, há duas mulheres negras, Jandira (Aline Marta Maia) e sua filha Jennifer (Ana Flávia Cavalcanti), com quem ele estabelece um contato também turbulento. Se há uma coisa que o diretor Miranda Maria não pretende é promover uma idealização de seu protagonista, nem conciliar seus conflitos e preconceitos, inserindo outras camadas de incômodo numa história pontuada pelo racismo e a intolerância.
 
Em termos de construção estética, o diretor contou com o diretor de fotografia franco-chileno Benjamín Echazarreta, que exerceu a mesma função no premiado Uma Mulher Fantástica. Echazarreta foi o responsável pela iluminação precisa do filme, cuja história aposta em elementos fantásticos e surreais para dar conta de seus processos. Sem dúvida, trata-se de uma estreia promissora a deste jovem diretor, já premiado anteriormente por seus curtas Command Action, A menina que dançou com o diabo e Meninas-formicida
 
 
Assista a entrevista do diretor João Paulo Miranda Maria no canal do Cineweb no YouTube

Neusa Barbosa


Trailer


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