Sem seu sangue

Ficha técnica


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Sinopse

A adolescente Sílvia leva uma vida apática, entre família e escola. Até que surge um novo aluno, Artur, expulso de vários colégios, e que a sacode da letargia. Eles iniciam um romance mas sua história encara perigos.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

05/10/2020

Selecionado para a Quinzena dos Realizadores de Cannes em 2019, o drama fantástico Sem Seu Sangue, primeiro longa da carioca Alice Furtado, envereda numa jornada adentro da adolescência feminina que adere firme ao filme de gênero. 
 
Diretora dos curtas Duelo Antes da Noite (exibido na seção Cinéfondation do Festival de Cannes 2011) e A Rã e Deus, Alice conta a história de Silvia (Luiza Kosovski), uma adolescente introspectiva e apática, que encontra em Artur (Juan Paiva) um parceiro que a desperta. Rebelde, ele entra em sua turma depois de ter sido expulso de várias escolas. Silvia fica fascinada pela energia dele, que, mesmo sendo hemofílico, desafia a prudência praticando atividades físicas não recomendadas para ele - skate, futebol, motociclismo. 
 
Um dos aspectos elogiáveis é como a diretora retrata a sexualidade de um ponto de vista feminino, criando uma naturalidade que evoca as sensações de personagens nessa fase. O relacionamento entre os jovens vai se tornando cada vez mais intenso, mas é interrompido por um grave acidente. 
 
Se no começo a história embarca num certo realismo, a partir deste corte dramático investe cada vez mais na elaboração de uma atmosfera psicológica sombria, traduzindo a jornada de tristeza de Luiza, agora sem Artur. O desenlace da situação conduz a um episódio surreal, calcado no cinema de terror. Tematicamente, este desdobramento é aparentado com os rumos do enredo do premiado Atlantique, da franco-senegalesa Mati Diop que, no entanto, é capaz de criar um contexto e camadas que sustentam melhor sua incursão no realismo mágico. Alice, ao contrário, faz uma abordagem mais seca e brusca que não se mostra tão orgânica dentro de sua história. 
 
Neste entrecho fantástico, que passa pela repetição de um suposto ritual haitiano, Luiza tem a parceria de dois outros personagens, André (Digão Ribeiro) e Matthieu (Nahel Pérez Biscayart, de 120 Batimentos por Minuto).
 
O filme da estreante, uma coprodução entre Brasil, França e Holanda, afinal, tem seu valor, apesar de alguns naturais desequilíbrios, mostrando-se próximo, em tom, ao cinema de Felipe Bragança.

Neusa Barbosa


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