Domando o Destino

Domando o Destino

Ficha técnica


País


Sinopse

A única coisa que Brady fez a vida toda foi montar em cavalos e participar de competições. Mas uma queda causou-lhe danos irreversíveis. Agora, ele precisa refazer sua vida e encontrar um novo trabalho.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

22/09/2020

O título brasileiro de Domando o destino é uma escolha infeliz: dá a ideia de um filme de autoajuda sobre um personagem que vence todas as barreiras em cima de um cavalo. Não poderia haver uma impressão mais equivocada. The rider, no original, está longe disso. O segundo longa de Chloé Zhao (um nome badalado do momento por conta de seu premiado Nomadland) busca inspiração em episódios reais da vida de seu protagonista, o ator Brady Jandreau, que interpreta uma versão de si mesmo, com o nome de Brady Blackburn.
 
A única coisa que Brady fez a vida toda foi montar em cavalos e participar de rodeios, até que uma queda causou-lhe danos no cérebro, imobilizando uma de suas mãos e o impedindo de competir novamente. Na verdade, ele nem deveria cogitar montar num cavalo – uma nova queda pode lhe custar a vida ou deixá-lo para sempre numa cama. Ele mora com o pai (Tim Jandreau) e irmã Lilly (Lilly Jandreau), que é doce e amorosa e sofre da síndrome de Asperger.
 
Desde que o filme abre, já depois do acidente, a vida de Brady é sem rumo. Ele procura maneiras de superar seu problema físico e voltar a competir, mas não parece haver opção. A família vive num trailer alugado, sob  a constante ameaça de um despejo. Desanimado com tudo, nem treinar cavalos o protagonista quer, mesmo sendo uma maneira de ganhar dinheiro. Ao mesmo tempo, estar impedido de montar é doloroso, a ponto de não aceitar esse trabalho.
 
Zhao tem um olhar carinhoso para esse outsider tomado por melancolia e impotência. Nascida na China e morando em Denver, a diretora busca o que pode haver de mais lírico na paisagem do oeste americano, na qual homens, mulheres e natureza parecem se fundir. A fotografia de Joshua James Richards valoriza essa paisagem e sua beleza.
 
Apesar das belas imagens, a grande estrela aqui é Brady, de quem o filme se aproxima com ambiguidade. Ele é um jovem de poucas palavras e muitos pensamentos (seus olhos deixam claro que muito se passa naquela cabeça), e o filme nunca o revela por completo. Teria ele amadurecido e aceitado que é necessário buscar um novo caminho? Ou estaria preso ao sonho impossível de seu passado, que pode lhe custar a vida? Não é um longa de respostas, mas de perguntas e, nesse sentido, é importante que sejam feitas as perguntas corretas. E Zhao as faz.

Alysson Oliveira


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