Os 7 de Chicago

Ficha técnica


País


Sinopse

Em 1968, um protesto pacífico na Convenção Nacional do Partido Democrata acaba tornando-se um violento confronto dos manifestantes com a polícia e a Guarda Nacional dos EUA., dando margem a uma operação de lawfare contra alguns ativistas que estavam na mira do governo Nixon.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

20/09/2020

O julgamento dos sete de Chicago – num dado momento, eles eram oito, mas Bob Seale, dos Panteras Negras, foi isentado do caso antes da conclusão – é um fato histórico importante nos Estados Unidos, quando oito ativistas foram indiciados ao participar de protestos conta as políticas de Lyndon B. Johnson no mesmo dia e cidade da convenção nacional dos Democratas. Isto resultou em tumultos, embates com a polícia e prisões. Os oito em questão foram indiciados, entre outros crimes, por conspiração. O julgamento-espetáculo levou mais de seis meses, trinta sessões, e contou com cerca de 200 testemunhas.
 
É um fato histórico, e o roteirista e diretor Aaron Sorkin tenta dar conta de toda sua complexidade. Mas um dos problemas que se enfrenta nesse tipo de filme é como lidar com um fato histórico consumado, sem o transformar em tal. Aqui, o diretor é incapaz de evitar essa armadilha. Ele tem a vantagem de olhar para trás e saber como tudo terminou., mas, ao mesmo tempo, evita investigar porque esse acontecimento se tornou relevante, colocando-o como algo concluído e importante.
 
Ao eliminar o processo histórico, Sorkin reduz o filme ao tribunal, tira nuances e planifica figuras reais. Seria necessário um diretor menos centrista do que ele, para tomar partido claramente – como, digamos, Mike Leigh em Peterloo, ou seja, acompanhar a História sendo feita, e não tomá-la como certa, com a vantagem histórica de conhecer sua conclusão. Há falas aqui completamente fora de propósito. Abbie Hoffman, interpretado por Sacha Baron-Cohen, diz: “As instituições da nossa democracia são algo maravilhoso que nesse momento são povoadas por pessoas terríveis.” Hoffman, um anarquista, jamais colocaria tanta fé em qualquer instituição, muido menos na democracia americana. Há outras figuras reais claramente alteradas, como o promotor Richard Schultz (Joseph Gordon-Levitt), pintado pelo prisma tipicamente liberal de Sorkin, quando, na verdade, relatos da época o descrevem como feroz.
 
O filme começa estabelecendo seu tom reverente com reportagens da época, até começarem os flashbacks dos protestos e prisões. Entram em cena Hoffman, o anarquista e líder da contracultura, seu colega Jerry Rubin (Jeremy Strong); David Dillinger (John Carroll Lynch), um pacifista; o ativista de direitos civis Tom Hayden (Eddie Redmayne); e os ativistas Rennie Davis (Alex Sharp), Lee Wiener (Noah Robbins) e John Froines (Daniel Flaherty). Todos de esquerda e todos injustamente acusados. É claro que Sorkin, com toda a sua boa intenção liberal-progressista, está tentando estabelecer um paralelo entre os EUA de 1968 e o do presente, sob o governo de Donald Trump e isto é perfeitamente cabível.
 
Segue, então, um filme de julgamento que não se furta de todos os elementos do gênero, com uma história poderosa nas mãos de Sorkin  O que sobressai aqui são as interpretações comprometidas, em especial a de Baron-Cohen, conhecido pelo seu humor ácido e debochado, especialmente na pele de Borat. Há momentos cômicos de seu personagem, que fazia standup, mas o que mais se destaca é o drama de um processo injusto.

Alysson Oliveira


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