A Liberdade é azul

A Liberdade é azul

Ficha técnica


País


Sinopse

Julie Vignon fica destruída quando perde o marido e a filha pequena num acidente de carro. Tentando retomar sua vida, acaba descobrindo que o marido tinha uma amante e estava compondo uma sinfonia pela união da Europa.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

19/09/2020

Trilogia das Cores – lançada entre 1993 e 1994 – é um dos pontos altos na carreira do polonês Krzysztof Kieslowski, cuja filmografia é repleta de pontos altos. Como o título brasileiro deixa claro, as cores estão ligadas aos ideais da Revolução Francesa de 1789, lidos a partir do presente da produção, no começo da década de 1990. É bom sempre lembrar que, no ano anterior, o economista norte-americano Francis Fukuyama havia decretado o “fim da história” depois da queda do Muro de Berlim, dizendo, a grosso modo, que não haveria mais disputas ideológicas e todos se curvariam às graças do capitalismo – no caso, ao modo neoliberal que se sedimentava com força naquele momento.
 
Em A liberdade é azul, primeiro volume da trilogia, Kieslowski começa uma investigação e meditação profunda sobre o estado de crise da Europa naquele momento, quando os valores humanistas que guiaram uma revolução de dois séculos anteriores estavam em xeque. O diretor, que também assina o roteiro, não é ingênuo, no entanto, a ponto de crer que o povo alguma vez teve vantagem nesse processo histórico. Era um movimento burguês e para a burguesia, as camadas populares foram, em alguns casos quase que literalmente, bucha de canhão.
 
Kieslowski sagazmente faz na série filmes históricos sobre o presente. Assinando o roteiro com Krzysztof Piesiewicz, ele coloca ao centro uma mulher cindida, Julie Vignon (Juliette Binoche), que perdeu o marido, um compositor, e a filha de 5 anos num acidente de carro, e, desde então, vive isolada em Paris. Ela descobre que o falecido tinha um caso e também estava escrevendo o Concerto pela Europa para celebrar a união do continente. Apenas ela poderia terminar a composição inacabada.
 
Trabalhando num mundo onde o contexto do comunismo e do pós-comunismo de sua Polônia já não fazem sentido, Kieslowski se volta para outro lugar. Destituído das ironias daquela situação, o diretor recorre a todo um arsenal para a construção da narrativa e das personagens, esteticamente se valendo, obviamente, de tons de azul na fotografia assinada por Slawomir Idziak. Cada um dos longas tem a direção de fotografia de um profissional diferente, o que confere identidade e certa autonomia, enquanto a trilha sonora grandiosa de Zbigniew Preisner é uma espécie de liga formal para as três obras.

Alysson Oliveira


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