Gaza

Gaza

Ficha técnica

  • Nome: Gaza
  • Nome Original: Gaza
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Canadá
  • Ano de produção: 2019
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 86 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Andrew McConnell, Garry Keane
  • Elenco:

País


Sinopse

Documentário retrata as precárias condições de vida dos habitantes da Faixa de Gaza, sofrendo diariamente a falta de água, luz, trabalho e bombardeios vindos de Israel - que fechou suas fronteiras com eles depois da vitória do grupo Hamas.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

02/09/2020

O documentário Gaza, de Garry Keane e Andrew McConnell, coloca seus espectadores bem no olho do furacão vivido por esta estreita e diisputada faixa de terra de 40 x 11km, onde se amontoam dois milhões de palestinos, muitos em habitações precárias, em ruínas, com fornecimento irregular de água e eletricidade. Desde a vitória do Hamas, em 2007, a população sofre pressões constantes de Israel, que incluem fechamento de fronteiras e restrições ao espaço de pesca e chegam a disparo de tiros e lançamento de bombas, matando e ferindo inúmeras vítimas civis.
 
O filme não entra na pantanoso território da disputa política, nem pretende examinar as razões de Israel para esta política francamente genocida - ainda que ao Hamas possam ser creditados ataques ao território israelense. A intenção dos diretores, plenamente atingida, é entrar na pele da condição palestina, mostrando o que é viver aquele cotidiano paupérrimo, instável e sufocante sendo um cidadão comum, empenhado apenas na própria sobrevivência.
 
A narrativa se constroi a partir de uma galeria de expressivos personagens. O primeiro deles, Ahmed, um garoto de 14 anos cuja figura mirrada não faz supor, à primeira vista, que ele tenha mais do que 10 ou 11. Ahmed é parte de uma família imensa, constituída por seu pai, três esposas e nada menos de 14 irmãos, que contam apenas com três cômodos para morar num campo de refugiados. Por conta disso, o garoto, que sonha tornar-se pescador, não raro prefere dormir na praia.
 
Uma outra adolescente, Karma, que mora a poucos quilômetros dali, tem uma situação melhor. Filha de uma família de classe média, ela mora com os pais e duas irmãs numa boa casa, estuda, pratica esportes e toca violoncelo. Apesar das vantagens, ela compartilha com Ahmed da sensação de sufocamento, de falta de perspectivas, de futuro improvável enquanto durar o interminável impasse entre seu país, Israel e também o Egito, o outro limite da fronteira fechada e outro aspecto da disputa territorial de uma das regiões mais conturbadas do planeta.
 
Outros personagens materializam os dilemas desta precária identidade palestina: um motorista de táxi, que já se entregou à prisão quando não pôde resgatar suas dívidas; um diretor de teatro constrito a apresentar monólogos para manter viva a chama da cultura em condições assim difíceis; um rapper que leva na carne as marcas da violência israelense; um paramédico que não tem hora para voltar para casa, sempre requisitado para o socorro às vítimas diárias de bombardeios e conflitos na fronteira; um velho pescador, que vai buscar o filho, preso por ter ultrapassado os estreitos limites do mar determinados por Israel, 
 
Cada um deles exprime uma parte desta condição de vida absolutamente inviável, insustentável. Mas nada mais revelador do que as imagens de um bombardeio à luz do dia, bem no meio da zona urbana, que colhe as vidas de alguns, não raro crianças, além de ferir outros tantos. Entre as vítimas, crianças da família Bakr, do pescador que resgatou há pouco o filho da prisão. 
 
Sem entrar no mérito das disputas políticas, o filme se coloca do lado das pessoas que tentam sobreviver naquele espaço, lutando contra condições absolutamente fora de seu controle. Apesar de tudo, a esperança em Gaza nunca morre.

Neusa Barbosa


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança