A Ternura

A Ternura

Ficha técnica


País


Sinopse

Frans e Lisa são divorciados há 15 anos. Quando seu filho, Jack, um instrutor de esqui, sofre um acidente no trabalho, os dois se reúnem para buscá-lo nos Alpes. No caminho, o antigo casal se confronta com sentimentos reprimidos e algumas aventuras.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

04/08/2020

O cinema da diretora francesa Marion Hänsel (1949-2020) é feito de detalhes, sutilezas, climas. E é no manejo delas que ela sempre soube extrair profundidade, entre notas inesperadas, doces, amargas, intensas, num estilo que atingiu a virtual perfeição em Entre o Inferno e o Profundo Mar Azul (1995), seu filme mais conhecido no Brasil.
 
Em A Ternura, uma delicadeza nunca óbvia determina os caminhos de um filme até bastante curto - pouco mais de uma hora - mas que se mostra capaz de percorrer distâncias emocionais consideráveis ao debruçar-se sobre o reencontro acidental de um casal divorciado. Frans (Olivier Gourmet) e Lisa (Marilyne Canto) são separados há 15 anos e unem forças para socorrer o filho, Jack (Adrien Jolivet), um instrutor de esqui acidentado no trabalho que deve ser repatriado para sua Bélgica natal.
 
Boa parte da narrativa se passa a bordo de automóveis, o que permite à diretora cultivar um intimismo dinâmico, distribuindo as informações de que não dispomos a cada etapa,  construindo seus climas nas conversas do ex-casal. As atitudes de cada um também falam mais do que as palavras - como quando Frans assume a direção do carro, sem querer dividir a função de motorista com Lisa. 
 
A convivência entre os dois recoloca, aos poucos, velhas rivalidades, até algumas mágoas, mas sem nenhuma agressividade ou grande drama. Há uma certa tolerância mútua mesmo na ironia das eventuais farpas. E o prolongamento da situação se produz quando, num primeiro momento, não encontram o filho onde esperavam, no hospital - ele saiu antes, com a namorada (Margaux Chatelier).
 
Fatalmente, todos se encontrarão num grande hotel, no meio de montanhas cobertas de neve, em que pequenos incidentes semeiam maior tensão entre Frans e Lisa - que teriam que, pela primeira vez em 15 anos, compartilhar um mesmo quarto por uma noite. 
 
Um dos pontos fortes da direção de Marion Hänsel é permitir a expressão destes seus personagens de maneira fluida, espontânea, livres dos habituais chavões de comédia romântico-dramática. Desta maneira, é um deleite observar as maneiras que ela encontra para nos dar a conhecer um pouco cada uma das personalidades - como quando nos coloca diante da aventura noturna de Lisa, quando, insone, ela decide ver a grande montanha nevada à noite.
 
Outras situações oferecem oportunidades semelhantes, como na volta para casa, quando o pai leva o filho e Lisa conduz o carro deste, dando carona a um desconhecido no caminho (Sergi López). Este incidente permite dar a conhecer outros sentimentos ocultos de todos os envolvidos, compondo um retrato singular daquilo que fica depois de um casamento, entre pessoas que ainda se importam uma com a outra. Neste trajeto pelas singularidades do antigo casal, que o filho, apaixonado, atentamente observa, o filme constrói o seu relato, conquistando interesse inclusive pelas possibilidades de identificação.

Neusa Barbosa


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