M-8 – Quando a Morte Socorre a Vida

Ficha técnica


País


Sinopse

Maurício é um jovem negro que é aprovado na faculdade de medicina. Lá terá diversas experiências de confronto com o racismo estrutural da sociedade brasileira.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

15/06/2020

Em seu quarto longa-metragem, M-8 – Quando a morte socorre a vida, o diretor paulista Jeferson De volta a um tema que lhe é caro: a juventude negra brasileira e seus desafios. O protagonista aqui é Maurício (Juan Paiva), jovem da periferia carioca que é aprovado em numa faculdade federal de medicina. Logo no primeiro dia, ele é apresentado ao cadáver que deverá estudar nas aulas de anatomia, chamado de M-8 (Raphael Logam). O maior desconforto que do estudante diante desse corpo é que, como ele, é um jovem negro.
 
Partindo do livro de Salomão Polakiewicz, o roteiro assinado por Jeferson e Felipe Scholl acompanha um processo de autodescoberta e aprofundamento identitário de Maurício, filho da mãe solo Cida (Mariana Nunes), que trabalha como enfermeira. Na faculdade, logo no primeiro dia, ele se depara com momentos de racismo explícito, quando um colega finge não saber que ele também é aluno.
 
Não é pequeno o incômodo de Maurício em ter que abrir o corpo daquele homem negro, cuja origem ele não sabe, mas passa a desconfiar quando se depara com um grupo de mulheres que protestam em busca do paradeiro de suas filhas e filhos. É nesse desconforto que a trajetória do protagonista avança. A todo momento, na faculdade, ele é lembrado de que aquele não é o seu mundo. Mesmo fazendo amizade com uma moça, Susana (Giulia Gayoso), e um rapaz, Domingos (Bruno Peixoto), ambos brancos e mais ricos, ele nunca està à vontade naquele círculo.
 
O racismo é uma questão central: Maurício é o único aluno negro, pobre e da periferia no curso. Mas a investigação do tema, no filme, vai além disso. É uma busca pela exposição daquilo que é mais estrutural, seja pelo preconceito da mãe de Susana, ou quando a polícia o aborda de maneira violenta e gratuita na rua. São questões importantes, com um profundo contato com episódios da realidade, mas que nem sempre têm o devido tratamento.
 
Há pouca construção, seja narrativa, seja de nuances das personagens. Sutileza não é uma das características do filme. Muitas vezes, o discurso nas falas é reiterativo, explicando o personagem sem muito convencer, com alguns excessos de didatismo que enfraquecem o longa. Muito do que está em cena é conhecido em relação aos abusos de poder e afins, mas o filme parece confiar demais nos clichês, arremessando-os à tela sem muita elaboração, ao invés de buscar uma investigação mais profunda das bases que mantém essa estrutura armada e tóxica.

Alysson Oliveira


Trailer


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