Partida

Ficha técnica

  • Nome: Partida
  • Nome Original: Partida
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2019
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 94 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Caco Ciocler
  • Elenco:

País


Sinopse

No final de 2018, pouco depois da eleição presidencial, um grupo de atores e técnicos viaja de ônibus para o Uruguai. O plano é encontrar o ex-presidente José Mujica. No caminho, surgem discussões políticas e uma das passageiras, a atriz Georgette Fadel, projeta sua candidatura à presidência da República em 2022.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

15/06/2020

Segundo longa assinado pelo ator Caco Ciocler, Partida é, antes que um filme, uma crônica inquieta no conteúdo e na forma. Deliberadamente o modo como se enfoca a polarização política e a insegurança quanto ao futuro que se projetava num país que acabava de eleger Jair Bolsonaro, no final de 2018, é fluido, inseguro, oscilante. A maioria dos passageiros do ônibus, cenário principal do filme, não votaram no candidato. Uma delas, a atriz Georgette Fadel, projeta sua própria candidatura à presidência da República em 2022. Neste momento, ela e os outros tripulantes dirigem-se a Montevidéu, sonhando com um encontro com José Mujica, o ex-presidente uruguaio, na virada para o Ano Novo de 2019.
 
Quase todos ali dentro são artistas - à exceção do jovem motorista do ônibus, que escuta calado às acaloradas discussões nos corredores atrás de si. Quando conversa com Georgette, ele admite ter esperanças no novo governo, em quem provavelmente votou. Mas não existe aí nenhum conflito, reservado aos embates de Georgette com um amigo a bordo, o ator e empresário Léo Steinbruch, de quem discorda politicamente de longa data, independentemente dos afetos que os unem também.
 
Identificado como “documentário”, o filme de Ciocler, outro passageiro deste ônibus, incorpora diversos processos teatrais, modulando com intervenções uma espécie de improvisação permanente. Uma discussão entre Léo e Georgette, afinal, deve ser reencenada em proveito do filme, evidenciando que tudo que se passa diante de uma câmera sempre tem componentes de ficção, por mais que uma verdade esteja ali representada.
 
Também os técnicos do filme participam das conversas, como a produtora e diretora de fotografia Julia Zakia, o técnico de som português Vasco Pimentel, o produtor Beto Amaral, a atriz Sarah Lessa. A dinâmica destes espíritos inquietos se desenrola um pouco no ônibus, nos quartos de hotel no meio do caminho. O Uruguai, esse destino idílico, ainda está longe. No meio do caminho está Curitiba, onde, no momento da filmagem, mantinha-se a vigília em prol do ex-presidente Lula, ainda preso.
 
Entre essa esquerda real do Brasil, naquele momento quebrada por uma derrota e algumas desilusões, e uma esquerda utópica, como a de Mujica, que seria “a esquerda que não se corrompeu”, nas palavras de alguém, oscilam algumas das discussões, em busca de novos rumos progressistas. Léo acha que tudo nesse caminho da esquerda já foi tentado - e falhou. Georgette, não, vislumbrando um outro tipo de ser humano, “nós mesmos, mas numa outra chave”. 
 
Sem pretensão a uma discussão sociológica, o filme é apenas isso - um experimento provisório, possível naquele momento e que registra nesse trecho filmado no Uruguai seus melhores momentos. A trupe vai ver Mujica em plena véspera de Ano Novo, no sítio onde ele vive, sem avisar, na esperança de um encontro. Das utopias é que nascem, provavelmente, os melhores momentos da vida. Às vezes, pode dar certo.

Neusa Barbosa


Trailer


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