A febre

Ficha técnica


País


Sinopse

Justino, um indígena, trabalha como vigia de um grande porto em Manaus. Uma dupla crise se apresenta em sua vida quando sua filha vai deixar de morar com ele, para cursar Medicina, e ele enfrenta conflitos no trabalho com um colega racista.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

15/06/2020

O universo indígena é focalizado com intensidade e delicadeza em A Febre, primeira ficção da carioca Maya Da-rin - diretora dos documentais Margem e Terras -, que fez uma carreira de repercussão em diversos festivais internacionais. 
 
Premiado em Locarno, Biarritz e Brasília, A Febre tem como núcleo uma família indígena, moradora da periferia de Manaus, destacando sua difícil interação com um ambiente que renega suas raízes indígenas e discrimina abertamente sua cultura ancestral.
 
Justino (Regis Myrupu, premiado em Locarno) é o pai dessa família. Trabalhando como vigia de um grande porto em Manaus, ele está num momento de impasse. Acaba de ser contratado um outro vigia, Wanderlei (Lourinelson Wladmir), que não esconde seu racismo - as falas deste personagem, aliás, sintetizam de maneira exemplar o arsenal de barbaridades disparadas diariamente contra os indígenas. Wanderlei, para começar, nem pergunta o nome do colega, referindo-se a ele apenas como “índio”.
 
A filha de Justino, Rose (Rosa Peixoto), que trabalha num hospital, foi aprovada em Medicina e vai mudar-se. Simbolizando todas as suas angústias, Justino começa a sofrer de uma misteriosa febre, que é uma porta aberta para a sintonia com as raízes que ele deixou para trás.
 
De várias maneiras, o roteiro, assinado por Maya, Miguel Seabra Lopes e Pedro Cesarino (que é antropólogo), engendra situações que colocam em foco a questão identitária destes indígenas, seus enfrentamentos com um mundo branco que os rejeita e instrumentaliza e suas reações para existir como pessoas por inteiro. O espaço e o tempo da narrativa são marcados com perfeição pela fotografia de Barbara Alvarez, a montagem de Karen Akerman e o trabalho de som de Felipe Schulz Mussel e Breno Furtado, construindo uma atmosfera que tangencia o fantástico, incorporando essa camada essencial à cosmogonia indígena. O filme, aliás, é falado em sua maior parte na língua tucana, com legendas em português, o que é um dos inúmeros sinais do respeito com que se processou a aproximação deste universo, com a participação decisiva do elenco indígena.

Neusa Barbosa


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