Expresso do Amanhã - ep. 1 a 3

Ficha técnica


País


Sinopse

Num futuro não muito distante, todo o planeta Terra congelou-se, impossibilitando a vida sem proteção. Os sobreviventes conhecidos aglomeram-se dentro de um trem, que não pode parar, com seus mais de mil vagões divididos numa rígida hierarquia de classes. Mas um crime aconteceu e Melanie, dirigente do trem, convoca Layton, fundista que era policial.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

10/06/2020

Não é novidade para ninguém que a série da Netflix inspira-se no longa homônimo de 2013, dirigido pelo premiado sul-coreano Bong Joon Ho, aqui um dos produtores executivos, que por sua vez partia da HQ francesa de Jacques Lob, Benjamin Legrand and Jean-Marc Rochette. Mas a série, criada por Graeme Manson e Josh Friedman, quer ter luz própria.

Mantendo, como não poderia deixar de ser, a base da história futurista centrada na diferença de classes e a claustrofobia de passar-se toda num trem que não pode parar - porque o planeta lá fora congelou -, a série incorpora alguns elementos, como uma narrativa policial, pelo menos nestes primeiros três episódios - em que um detetive, Layton (Daveed Diggs), é trazido do Fundo para os primeiros e privilegiados vagões, para investigar um assassinato com detalhes macabros. 

Em comparação com Curtis (Chris Evans), o líder relutante da rebelião classista do filme de Joon Ho, Layton é bem mais interessante. Não só ele é um heroi ético e comprometido com o destino dos fundistas, que deixou momentaneamente para trás, como mantém um aspecto sentimental dividido, entre sua ex-mulher, Zarah (Sheila Vand), e a companheira de luta Josie (Katie McGuinness) - que inclusive o ajudou a criar o filho, Miles (Jaylin Fletcher). Com estas camadas e um certo senso de humor para provocar o comando do trem sempre que possível, Layton é um heroi fácil de criar empatia em torno de si.

ATENÇÃO, SPOILER! (se não quiser saber, pule este parágrafo) Uma diferença crucial da história gira em torno da figura de Wilford, o criador do trem, uma espécie de Arca de Noé classista em que a presença dos pobres não era prevista (no caso da série). No filme, Wilford (Ed Harris) era uma presença invisível para todos, exceto para sua fiel escudeira (Tilda Swinton), que tinha acesso a todas as áreas do trem, exercendo o poder em nome do chefe. Na série, os dois papéis se mesclam em Melanie (Jennifer Connelly), sem que se saiba exatamente o que ocorreu a Wilford - ele existiu? Morreu? Ou foi desde o começo uma invenção dela? Até o terceiro episódio, não se sabe.

De todo modo, o suspense é a tônica dos três primeiros episódios, em que apenas Layton tem uma oportunidade, rara para um fundista, de procurar entender qual é realmente este mecanismo do trem, que ele pensa em usar em proveito de uma rebelião do Fundo. Sua própria presença ali, afinal, não deixa de ser intrigante, Será que Melanie tem um plano secreto em vista para o detetive? Aliás, falando em diferenças do filme, Jennifer Connelly compõe uma personagem fascinantemente ambígua, transmitindo uma maldade fria, cortante, por trás desse rosto tão lindo, esse corpo aparentemente tão frágil. Já sua principal assistente, Ruth (Alison Wright), é mais contundente em sua figura de capataz para os serviços mais sujos - eventualmente, até um pouco caricata. 

Mas ainda é cedo para ter prognósticos definitivos. Vamos ver onde é que a série vai nos levar.

Clique aqui sobre os episódios de 4 a 6 

Neusa Barbosa


Trailer


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