Tenet

Ficha técnica


País


Sinopse

Sobrevivendo a uma operação de alto risco para resgatar outro agente em Kiev, um agente secreto renasce para missões muito mais perigosas, encarando um vilão que teve acesso a uma avançadas tecnologia que permite deslocamentos no tempo de pessoas e objetos.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

01/06/2020

Desde sempre, o diretor Christopher Nolan empenha-se em desnortear fãs e detratores, com histórias complexas, que aparentemente não podem ser decifradas à primeira visita - caso de Amnésia (2000) e A Origem (2010), por exemplo. Fiel ao seu estilo, Nolan entrega em Tenet um novo enredo com ambição de reverter padrões narrativos e criar um heroi de uma tessitura diferente, aqui interpretado com sutil elegância por John David Washington, cujo talento já havia sido devidamente confirmado como protagonista de Infiltrado na Klan, de Spike Lee.
 
Tenet não é mesmo para espectadores distraídos - até os atentos vão perder-se muitas vezes numa história em que o grande segredo está num modo de ir e vir no tempo, em que alguns objetos e pessoas trafegam em direções temporais reversas - não se trata da clássica viagem no tempo das ficções científicas tradicionais.. 
 
Como isso acontece, melhor deixar para conferir no filme, que começa com uma sequência impactante, num grande teatro em Kiev. A casa lotada é invadida por terroristas armados de bombas. Vestido em sua roupa toda preta e capacete, o Protagonista (Washington) é um dos invasores do teatro, mas com uma missão secreta. 
 
A eletrizante sequência inicial prepara o ritmo frenético de um filme que capricha em diversas sequências de ação, com direito a explosões, perseguições de automóveis e enfrentamentos de batalhões pesadamente armados, no habitual pacote visual de alto nível de Nolan – que aqui aposta no IMAX e conta com a montagem de Jennifer Lame, a fotografia de Hoyte Hoytema (repetindo a parceria de Interestelar e Dunkirk) e trilha de Ludwig Göransson (que assinou a de Pantera Negra).
 
O roteiro, também assinado por Nolan, desencadeia uma história que corre em várias pistas em paralelo, apostando em elementos policiais, científicos e com uma leve linha fina humana, ligada a Kat (Elizabeth Debicki). Principal personagem feminina, ela é o elo entre o submundo poderoso, representado pelo marido vilão, Andrei Sator (Kenneth Branagh em sua mais maligna encarnação), e o protagonista sem nome, que tenta decifrar o desafio técnico de coisas estranhas que tem visto ultimamente - balas disparadas voltando para trás e pessoas executando movimentos ao reverso à luz do dia. A palavra- chave é Tenet, não por acaso, um palíndromo.
 
Quase tão cool quanto o protagonista, Neil (Robert Pattinson), com sua propalada formação em física, parece o parceiro não só ideal quanto indispensável para ele, quando tem que se aventurar nestas perigosas estradas surreais e temporais. Kat, por sua vez, como a esposa maltratada do mega vilão, poderia ter sido uma personagem mais bem-desenvolvida, criando rumos mais interessantes na história - além de representar uma sugestão de tensão romântica entre ela e o protagonista que está lá somente para isso mesmo, ser um mero indício.
 
Não há muito humor à vista, a não ser em algumas tiradas cínicas nos diálogos. Nolan, mais uma vez, quer nos entorpecer com uma imensa arquitetura high tech, cerebral, aturdindo em sua complexidade. Até certo ponto, é mesmo fascinante, mas não tanto quanto se poderia supor a princípio. Parece haver um certo cansaço na “fórmula Nolan”, um peso que estica a duração e compromete o ritmo, num hermetismo excessivo que esfria a história um pouco além do esperado. 

Neusa Barbosa


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