Duna

Ficha técnica


País


Sinopse

Encarregado pelo rei de tomar posse do planeta Arrakis, o duque Atreides desloca-se para lá com sua mulher, Lady Jessica, e o filho, Paul. O planeta, inóspito e arenoso, guarda uma riqueza muito cobiçada em sua atmosfera poeirenta, a "especiaria". A guerra por ela será implacável.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

15/04/2020

Sem ser um diretor exclusivo de ficções científicas - afinal, ele ganhou notoriedade com o drama Incêndios (2010) -, o canadense Denis Villeneuve já tinha demonstrado um estilo próprio no gênero, em filmes compassados e ambiciosos, caso de A Chegada (2016) e Blade Runner 2049 (2017, em que ele se deu bem revisitando um clássico cult). 
 
Seu Duna de 2021 na verdade também é uma revisita, mais ao livro original de Frank Herbert, que já havia sido filmado em 1984 numa versão muito criticada, assinada por um David Lynch, ali fora de sua zona ideal de conforto de inquietação onírica. A ambição de Villeneuve aqui é ser mais fiel à obra literária, que ele desdobra numa trilogia, da qual esta é a primeira parte, cobrindo pouco mais da metade do texto de Herbert.
 
O diretor faz escolhas ousadas, a partir da escolha do ator norte-americano Timothée Chalamet como o protagonista, Paul Atreides. No entanto, com seu físico magérrimo e expressão quase infantil, Chalamet mostra-se uma escolha adequada para interpretar o herdeiro de uma nobre dinastia que, no ano 10.281, é encarregada, um tanto traiçoeiramente, de comandar o planeta arenoso Arrakis. Por muito tempo explorada por outra dinastia, os Harkonnen, o planeta guarda uma riqueza cobiçada em sua atmosfera eternamente empoeirada, chamada de “especiaria” - uma substância com usos energéticos, capaz de permitir a propulsão de naves espaciais, e também alucinógena.
 
O inóspito planeta é habitado por um povo selvagem e oprimido, os Fremen, os únicos a saberem lidar com a peculiar fauna local, reduzida a gigantescos vermes que se movem sob as montanhas de areia e são evidentemente fatais a tudo em seu caminho.
 
Contando com uma direção de arte, figurinos, maquiagem e efeitos especiais afinados, Villeneuve comanda um filme que se desenvolve dramaticamente com a lentidão que ele considera justas para desenvolver, em pouco mais de duas horas e meia, uma saga de traição, amadurecimento e desafios que projetam o enredo para os próximos dois capítulos.
 
Introduz, assim, a natureza ambivalente deste Paul Atreides, filho do nobre duque Leto (Oscar David) e de sua concubina, Lady Jessica (Rebecca Fergusson), integrante da ordem mística das Bene Gesserit. Muito jovem, Paul não domina ainda as artes da guerra, nas quais é treinado constantemente, muito menos sua desconhecida capacidade paranormal, com a qual ele entra em contato através de sonhos e visões.
 
É questão de tempo que venham as guerras que, apesar de ambientadas no futuro, são praticada com lanças e facas, num corpo a corpo selvagem que lembra os combates medievais, inclusive nos figurinos - exceto pelo detalhe de que os Atreides podem proteger-se com um escudo high tech, acionado a partir de seus punhos. Essa mescla de detalhes retrô e futuristas introduz uma certa atemporalidade que permite aos espectadores imaginarem suas próprias ligações. Villeneuve não acredita em ritmo acelerado, quer que seu público crie suas próprias conexões e se envolva com o material que está vendo à sua maneira. 
 
Nesse universo habilmente composto, o diretor encaixa um elenco não menos do que estelar, do qual fazem parte também Javier Bardem (o líder Fremen Stilgar), Zendaya (Chani), Josh Brolin (Gurney), Jason Momoa (Duncan Idaho), Charlotte Rampling (reconhecível por sua voz inconfundível debaixo do pesado figurino da Reverenda Madre) e Stellan Skarsgard, coberto por prostética e pesada maquiagem para encarnar o barão Vladimir Harkonnen. 
 
Dramaticamente falando, também há uma sobreposição de climas, entre um épico medieval e um futurista sombrio, que é capaz de invocar semelhanças com dramas existenciais shakespearianos e batalhas interestelares. É dessa forma que Villeneuve compõe seu universo e aí está sua marca como diretor. Resta esperar que o público se conecte com seu modo compassado de contar histórias, dando tempo a que a gravidade de cada personagem manifeste seu contexto e suas escolhas.

Neusa Barbosa


Trailer


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