A Divisão

Ficha técnica


País


Sinopse

Uma onda de sequestros abala o Rio dos anos 1990. O chefe de polícia da cidade reúne na Divisão Antissequestros o que tem de melhor, mas tem estilos opostos: o violento delegado Mendonça e os negociadores corruptos Santiago, Ramos e Roberta. Todos vão atuar no caso de Camila, a filha sequestrada de um politico.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

15/01/2020

Inspirada na série de streaming do mesmo nome, A Divisão, de Vicente Amorim, embarca numa história policial temperada com violência e dilemas éticos. Ambienta-se no Rio de Janeiro do final dos anos 1990, quando uma onda de sequestros abalava a cidade e desafiava os esforços do chefe de polícia, Paulo Gaspar (Bruce Gomlevsky). 
 
Se há uma qualidade na história, é não promover uma idealização da força policial - o primeiro a não ter ilusões é, aliás, o próprio chefe de polícia. Sabe que alguns de seus comandados faturam alto com chantagens e acordos com traficantes - que eles mesmo sequestram, extorquem e soltam. Sabe também que, de outro lado, estão os brucutus, que não hesitam um minuto em partir para a violência, a tortura e deixar uma pilha de cadáveres atrás de si. A aposta de Gaspar para encarar o desafio dos sequestros é unir os dois lados, para que um controle os excessos do outro.
 
Assim, ele coloca sob a mesma Divisão Antissequestro o delegado Mendonça (Silvio Guindane), um dos durões violentos, comandando um trio de policiais que mantinha esquemas com os traficantes: Roberta (Natália Lage), Santiago (Erom Cordeiro) e Ramos (Thelmo Fernandes). Por ali, também age o delegado Benício (Marcos Palmeira), de fala macia mas que tem agenda própria. Todo esse time é mobilizado quando ocorre o sequestro da Camila (Hanna Romanazzi), filha de um conhecido político em campanha, Venâncio Flores (Dalton Vigh). 
 
Seguindo o mesmo estilo da série, não se economiza em realismo para retratar as sequências que mostram os policiais em ação, subindo morros, prendendo e torturando suspeitos, distribuindo tiros e na correria. Em que pese que a violência superou o aceitável em alguns momentos, esta busca de realismo e energia é um dos pontos fortes do filme. 
 
Como filme (e série) têm à sua disposição um inegavelmente talentoso elenco, é pena que não se tenha trabalhado um pouco mais para atenuar o maniqueísmo na forma como se desenha os personagens e suas posições no jogo que está no centro do roteiro - assinado por Gustavo Bragança e José Luiz Magalhães. Esboça-se um confronto entre os métodos violentos de Mendonça - que deve ser o delegado dos sonhos do governador Witzel - e os “jeitinhos” de Santiago e seus dois amigos, o que é interessante, mas não é desenvolvido em toda a sua potencialidade, em nome do entretenimento.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 10/06/2020 - 00h40 - Por ALEXANDRE GUIMARÃES O cartaz seria mais eficaz se retratasse em primeiro plano Erom Cordeiro, o verdadeiro protagonista, na minha opinião. O trailer que vi pega um trecho incompleto da fala de Guindane em que não sabemos que ele é policial, o que me induziu a pensar que a imagem era a de um dos sequestradores. Guindane está maravilhoso, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Mas essa série de equívocos pode ter tirado a vontade das pessoas de ver o filme (muita gente simplesmente não quer ver o vilão no cartaz). Se Guindane fosse o protagonista, meu comentário não procederia, claro. Enfim, um bom filme, recomendo demais.
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