A batalha das correntes

Ficha técnica


País


Sinopse

Final do século XIX, um momento de grandes avanços tecnológicos. Dois inventores, Thomas Edison e George Westinghouse, criam dois tipos de correntes elétricas, contínua e alternada, e travam uma guerra disputando qual delas será adotada nos EUA.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

10/12/2019

A batalha das correntes retrata um episódio curioso, quando dois homens disputaram a nascente indústria da eletricidade nos EUA do final do século XIX. São eles Thomas Edison (Benedict Cumberbatch), um inventor e eminente rei da autopromoção, e o engenheiro George Westinghouse (Michael Shannon). O filme, dirigido por Alfonso Gomez-Rejon, seria, a princípio, eletrizante: uma disputa acirrada por algo que estava surgindo, uma grande novidade, que, como se sabe, mudou a forma como vivemos. Mas o resultado não ilumina a disputa, nem empolga muito. Mesmo contando com um elenco competente, o filme carece de energia, recorrendo a um excesso de truques de câmera que tornam o longa cansativo.
 
O empenho do diretor está exclusivamente nos seus excessos estéticos, com o uso excessivo de lentes grandes-angulares -- que não parece ter nenhum sentido. Além disso, os personagens não parecem humanos, mesmo com o esforço dos atores, mas uma verão heroizada de Grandes Inventores Que Mudaram a Humanidade. Fora Edison e Westinghouse, também está em cena Nikola Tesla (Nicholas Hoult), um imigrante sérvio que acabou trabalhando para os dois, mas seu talento batia de frente com o ego e as ideias de Edison.
 
Entrecortando a trajetória dos dois personagens centrais ao longo da narrativa, o longa, escrito Michael Mitnick, cria um paralelo que ora os aproxima, ora os distancia. Mas são as diferenças de visão de mundo que os distinguem: Edison tem sede de atenção, gosta de ser famoso, distribuir autógrafos, e está interessado em fornecer energia para a elite de Nova York, enquanto seu rival pensa em fornecer eletricidade a baixo preço para cidades pequenas – o que não quer dizer que ele seja um mártir ou algo parecido, apenas que achou um mercado mais lucrativo nisso.
 
A disputa toma um outro caminho quando autoridades percebem que a eletricidade pode ser usada para matar condenados. É nesse momento que o filme chamusca a imagem de Edison, que serviu de consultor para a criação da cadeira elétrica. É bem verdade que o inventor tem uma visão um pouco mais negativa aqui do que Westinghouse. Ele é pintado como um tanto oportunista e totalmente narcisista.
 
Mas não é apenas na tela que se vê uma batalha. A história da produção e lançamento do longa também é tortuosa. Em 2017, o filme ficou pronto e foi submetido a seu produtor, Harvey Weinstein, e exibido no Festival de Toronto daquele ano, no qual foi muito mal recebido. As acusações de abuso sexual contra Weinstein jogaram um filme num limbo, do qual só foi tirado pelo diretor, que rodou algumas cenas que ficaram de fora, montou-o novamente, e finalmente A batalha das correntes chegou aos cinemas como seu diretor o queria. Para o bem, e para o mal. O resultado não é propriamente ruim, mas é um tanto genérico. Talvez a história da batalha da produção desse longa renderia outro mais interessante. 

Alysson Oliveira


Trailer


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