A melhor juventude - Parte 1

Ficha técnica


País


Sinopse

Em Roma, no verão de 1966, os irmãos Matteo e Nicola só esperam o exame final do secundário para cair na estrada numa viagem com os amigos. Uma série de mudanças os esperam a partir de escolhas feitas aí, encarando o movimento estudantil, a contracultura, o movimento antimanicomial e relacionamentos afetivos.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

18/09/2019

Lançada com anos de atraso em cinema no Brasil, A Melhor Juventude, de Marco Tullio Giordana (2003), revisita várias décadas da história italiana, desde 1966, a partir da vivência de dois irmãos romanos, Matteo (Alessio Boni) e Nicola (Luigi Lo Cascio). Já exibida anteriormente no Brasil em festivais, a produção está sendo lançada em versão restaurada, dividida em duas partes, de três horas cada uma, o que permite um aproveitamento menos cansativo - ainda que seja bom que se diga que as horas desta sensível minissérie, produzida originalmente para a televisão, passam voando, pelo envolvimento que é capaz de provocar. 
 
São os caminhos opostos destes dois irmãos, diferentes mas sempre vinculados no afeto, que permitem ao diretor, amparado no sólido roteiro de Sandro Petraglia e Stefano Rulli, compor uma pulsante parábola do próprio país, capaz de investigar o passado projetando reflexões sobre o presente, num retrato com que outros países, como o Brasil, podem encontrar algumas similaridades.
 
A perspectiva intimista nunca é perdida no retrato destes irmãos, da família Carati, composta ainda pela mãe, Adriana (Adriana Asti), o pai, Angelo (Andrea Tidona), e as filhas Giovanna (Lidia Vitale) e Francesca (quando adulta, interpretada por Valentina Carnelutti). A família é um modelo que permite explorar aqueles anos 1960, em que Nicola parte para experimentações libertárias e Matteo, para um enfrentamento com a vida que se assemelha a uma auto-implosão.
 
Os dois irmãos compartilham um desejo de ruptura, que num determinado momento conflui para Giorgia (Jasmine Trinca), uma jovem paciente de hospital psiquiátrico que os dois tentam ajudar, o que permite ao filme abordar o trabalho do psiquiatra Franco Basaglia (1924-1980), um pioneiro da humanização dos manicômios na Itália.
Contrariando as expectativas, Matteo, um leitor voraz e aluno brilhante, abandona impulsivamente o exame final do secundário, alistando-se no exército. Enquanto isso, Nicola viaja como mochileiro para a Noruega, engaja-se no movimento estudantil em Turim e se apaixona pela politizada Giulia (Sonia Bergamasco), formando uma família.
 
O experiente Giordana dirige com mão leve, acentuando a humanidade de seus personagens, que formam coletivos muito empáticos para o espectador, especialmente por meio de amigos dos irmãos, como Carlo (Fabrizio Gifuni) e Vitale (Claudio Gioè). Não faltam ternura nem humor nesta convivência, o que não compromete a seriedade de situações retratadas, como a grande enchente que destruiu Florença em 1966 (com imagens documentais da época), choques entre policiais e estudantes em 1968, grandes greves e demissões na Fiat e o surgimento das Brigadas Vermelhas, em meados dos anos 1970.
 
O diretor não perde de vista seu caleidoscópio humano e factual, compondo um mosaico muito vivo dessa grande História que vai se armando em pinceladas, dia a dia, nos pequenos atos e escolhas que desenham os maiores. Ao mergulhar seus personagens neste turbilhão de acontecimentos, Giordana como que folheia um imenso álbum de retratos vivo diante de nós - e como ele dói.

Leia a entrevista de Marco Tullio Giordana

Neusa Barbosa


Trailer


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