Hebe - A estrela do Brasil

Ficha técnica


País


Sinopse

Apresentadora famosa e poderosa, Hebe Camargo enfrenta problemas com a censura depois de trazer ao programa a trans Roberta Close. Pressionada a abandonar os programas ao vivo, ela muda de emissora. Na intimidade, poucos imaginam seu sofrimento com um marido ciumento e abusivo.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

17/09/2019

Hebe Camargo (1929-2012) ganha um filme, Hebe - A Estrela do Brasil, que assumidamente não pretende ser uma cinebiografia completa da poderosa apresentadora que reinou por décadas na televisão. O filme de Maurício Farias, roteirizado por Carolina Kotscho, debruça-se sobre um período da década de 1980, quando Hebe trocou a Bandeirantes pelo SBT depois de um incidente envolvendo a censura.
 
A escolha do incidente - a pressão da censura da ditadura militar agonizante por conta de uma entrevista com a trans Roberta Close - escancara a intenção do filme de atualizar a imagem de Hebe (Andréa Beltrão), uma conservadora notória, eternamente identificada com os poderosos de plantão e amiga do peito de Paulo Maluf, transformando-a, magicamente, numa ativista da liberdade de expressão. Sem contar sua adesão aos gays, como o cabeleireiro Carlucho (Ivo Müller), que ela vai visitar no hospital quando este sucumbe vítima da AIDS, a doença cuja disseminação na época servia como um estandarte para satanizar a comunidade gay.
 
Amparada nestas duas vertentes, a história ressalta a personalidade esfuziante, o personalismo, a vaidade e o inegável carisma junto ao seu público - que, muitas vezes, encontrava em suas frequentes gafes (que o filme não menciona) um álibi para o próprio despreparo cultural, cuja superação o próprio exemplo de Hebe não estimulava. Sem dúvida, Hebe foi um fenômeno da comunicação de massas e uma pioneira  - antecedendo a legião de louras apresentadoras no país mestiço, como Xuxa, Angélica e Eliana, para ficar em algumas. Seu poder foi, aliás, muito bem analisado pelo sociólogo Sérgio Miceli no livro “A noite da madrinha”, que não poupa o objeto de sua análise, atribuindo-lhe, por exemplo, a “mesmice da cantilena” em sua longa presença nos lares brasileiros. 
 
Tolera-se, é claro, numa ficção, que haja licenças poéticas e até alguma dose de chapa-branquismo - ainda mais num filme em que a família de Hebe esteve por perto. Mais difícil é admitir esta reinvenção da personagem tão longe da realidade. Personalista e poderosa, Hebe sempre defendeu uma liberdade só, a sua própria, para escolher quem participava de seu programa. O resto é maquiagem pesada, como a apresentadora, aliás, nunca dispensava.
 
Se há um aspecto, no entanto, em que o filme acerta, é quando despoja a apresentadora de sua aura pública, apresentando sua fragilidade na esfera famíliar, em que ela não conseguia lidar com o isolamento e a homossexualidade do filho, Marcello (Caio Horowicz), e suportava os abusos de um marido ciumento (Marco Ricca). Nestes momentos, a interpretação, aliás, sutil de Andréa Beltrão, sobressai mais do que nunca. É o grande trunfo de um filme que poderá satisfazer, evidentemente, aos fãs mais apegados - a quem nunca se pretendeu mesmo incomodar com polêmicas ou contradições da personagem. Para eles, também, se dirige uma minissérie em preparação sobre a apresentadora, que não se sabe se avançará na busca de incorporar mais facetas de sua vida e personalidade.

Neusa Barbosa


Trailer


Comente
Comentários:
  • 27/09/2019 - 11h06 - Por FABIO AUGUSTO DE MORAES FERNANDES Homossexualismo? É sério que você escreveu isso? Sua crítica é frágil, pois acusa a hebe de conservadora considerando 2019 e não o contexto em que ela viveu. Para mim, conservadora é quem em pleno ano de 2019 ainda usa a expressão homossexualismo.
  • 30/09/2019 - 17h38 - Por Neusa Barbosa Caro Fábio:

    O uso da palavra "homossexualismo" na minha primeira versão deste texto não teve, da minha parte, nenhuma maldade, evidentemente; pode ser um problema de eu não ter levado em conta uma atualização necessária do termo, motivo pelo qual troquei por "homossexualidade". Foi um lapso, apenas. De modo algum me julgue conservadora por isto.

    No mais, eu não considerei, não, o contexto de 2019 para julgar Hebe conservadora. Eu vivi em boa parte o contexto em que ela viveu, sei como funcionava. E ela era, sim, conservadora em todos os sentidos.

    Neusa Barbosa
Deixe seu comentário:

Imagem de segurança