Depois do casamento

Ficha técnica


País


Sinopse

Isabel é uma norte-americana que vive há 20 anos na Índia, dedicada a um orfanato. Um dia, o local recebe a oferta de uma doação milionária de uma publicitária dos EUA. Ela, porém, exige que Isabel venha pessoalmente tratar da doação em Nova York. Quando Isabel chega lá, tem um doloroso reencontro com uma história escondida em seu passado.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

11/09/2019

Há bastante drama no enredo de Depois do Casamento, refilmagem norte-americana do filme homônimo de Susanne Bier de 2006. Reuniu-se um ótimo elenco, encabeçado por Julianne Moore, ao lado de Michelle Williams e Billy Crudup como o trio principal. Por que, então, a obra dirigida por Bart Freundlich reverbera tão maquinalmente com o material explosivo que tem em mãos?
 
A mudança de gênero de um dos protagonistas - aquele interpretado por Michelle Williams, que era de Mads Mikkelsen no filme original - não faz realmente diferença. Fora isto, permanecem nesta nova história todos os detalhes básicos do filme de 2006. Michelle interpreta Isabel, uma norte-americana que vive na Índia há cerca de 20 anos, dedicando todo seu tempo e energia a um orfanato. Um dos garotos, Jai (Vir Pachisia), merece atenções especiais dela, que o trata quase como um filho.
 
O oferta de uma polpuda doação por parte de uma milionária norte-americana, a publicitária Theresa (Julianne Moore), obriga Isabel a viajar para os EUA, porque a potencial benfeitora assim o exige. Isabel viaja a contragosto e vai deparar-se com uma enorme surpresa em Nova York. 
 
Theresa obriga também Isabel a comparecer ao casamento de sua filha mais velha, Grace (Abby Quinn). É lá que ela verá o marido de Theresa, o escultor Oscar (Billy Crudup). Aí revela-se a grande trama por trás da vinda de Isabel, planejada por Theresa. 
 
Há tantas possibilidades dramáticas por trás deste reencontro, por trás do qual existem tantos segredos, que é impressionante como, mesmo contando com um elenco tão qualificado, o diretor Freundlich, marido de Julianne Moore, não consiga aproveitá-las a contento. Gasta-se um enorme tempo para retratar os ambientes luxuosos por onde circulam Theresa e Oscar, ultrapassando a possível intenção de fornecer um contraste com o despojado orfanato da Índia que é o centro da vida de Isabel.
 
No final das contas, é Michelle Williams quem se sai melhor na composição de sua personagem, assumindo com sutileza suas ambiguidades - e que levam a enxergá-la com transparência diante de suas escolhas do passado e do presente. Abby Quinn, como a filha, desperdiça diversos momentos, inclusive por recair na chave de um certo overacting. 

Julianne Moore, que produziu esta refilmagem - assim como outra, Gloria Bell (2018), um remake do filme chileno de 2012, Gloria - parece estar à procura de papeis mais substanciais para mulheres maduras, o que é louvável numa Hollywood com problemas com a idade de suas estrelas femininas. Mas é pena que aqui o roteiro, que foi retrabalhado por Freundlich a partir da história original de Susanne Bier e Anders Thomas Jensen, nem sempre trate como merece esta atriz magnífica, desperdiçando-a em cenas dispensáveis, temperando o melodrama com um toque de novelão. 

Neusa Barbosa


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