A Sangue Frio

Ficha técnica

  • Nome: A Sangue Frio
  • Nome Original: The Way of the Gun
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2000
  • Gênero: Policial
  • Duração: 120 min
  • Classificação: 18 anos
  • Direção:
  • Elenco:

País


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

22/04/2003

Este filme de estréia de Christopher McQuarrie mistura cenas de violência ao estilo de Sam Peckinpah com drama de perfil psicológico bem definido, com cuidado cirúrgico, como John Huston.

Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro em 1995 por Os Suspeitos, McQuarrie revela-se também um refinado diretor. A opção por planos mais abertos e o uso do recurso da narração de um dos personagens, permite ao espectador envolver-se e sentir que faz parte da ação. E ação é o que não falta nesta trama bem desenvolvida. Dois marginais sobrevivem graças a pequenos expedientes e, depois de tentar vender sêmen para um banco de esperma, resolvem dar um grande golpe com o seqüestro de uma mulher grávida. Nada muito planejado, apenas tentam aproveitar a oportunidade por estarem num laboratório próximo à uma clínica médica.

Parker (Ryan Phillipe) e Longbaugh (Benicio Del Toro) imaginam que a empreitada poderá ser um modo fácil e não-violento de ganhar dinheiro. Só não contavam com um empecilho - a mulher alugou a barriga para um mafioso e rico casal. Um intrincado jogo de interesses envolve o nascimento desta criança e o seqüestro se revela muito mais complicado do que poderiam supor. Robin (Juliette Lewis), a grávida, funciona como o ponto de convergência de várias tramas paralelas. Cada personagem tem algo para esconder e todos lutam para que nada seja desvendado. E no meio deste furacão, os dois criminosos, em busca de uma saída menos miserável de vida, se vêem prestes a perder a única coisa preciosa que têm - a lealdade mútua.

Estômagos mais sensíveis poderão reclamar com as várias cenas violentas, encharcadas com muito sangue. Mas esta é apenas uma leitura. O grande trunfo está em seguir a tendência atual dos cineastas americanos em abandonar o maniqueísmo, fácil e libertador de culpas, para realizar filmes com mais realismo, quase beirando o formato de documentário. Afinal a realidade dos tempos atuais, em qualquer sociedade, não é um mar-de-rosas. Muito pelo contrário, o indivíduo vive constantemente situações-limite.

No universo de pessoas sem perspectivas, ao lado de outras que não seguem nenhum código moral, a promiscuidade das relações é usada apenas para aprofundar a discussão sobre os conflitos do homem moderno. A quebra da lealdade, em busca de uma saída para uma vida medíocre, é um fato corriqueiro. Mesmo que ocorra sem tiros, não escapa da mesma violência.

Ana Vidotti


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