A Língua das Mariposas

A Língua das Mariposas

Ficha técnica


País


Sinopse

Moncho é o filho caçula de uma família na Galícia. Em 1936, ele entra para a escola e supera os temores com a atenção carinhosa do velho professor, Gregório, que guia seus alunos na descoberta da natureza. Republicano, como o pai de Moncho, Gregório assiste à escalada de tensões que levou à Guerra Civil Espanhola.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

22/04/2003

Este filme é um feliz encontro entre o diretor José Luis Cuerda e o premiado roteirista espanhol Rafael Azcona - entre os inúmeros prêmios de sua carreira, ganhou o Kikito do Festival de Gramado de 1993 por Sedução, de Fernando Trueba. A adaptação do livro de contos de Manuel Rivas, Qué me Quieres, Amor? , é de uma simplicidade tocante.

Isto não quer dizer que seja um filme menor. Se o tema sobre a entrada no mundo adulto é bastante recorrente no cinema atual, a abordagem é delicada e precisa. Privilegiando as pequenas e marcantes descobertas de um menino - o ator-mirim Manuel Lozano, numa interpretação natural e sensível - o filme tem como pano de fundo o período imediatamente anterior à Guerra Civil espanhola.

A preocupação de Moncho é deixar a segurança de seu pequeno mundo familiar ao entrar na vida escolar. As histórias, sobre como os professores podem maltratar os alunos, contadas pelo irmão mais velho, Andrés (Alexis de los Santos) não o deixam dormir. Mas esta será apenas a primeira de suas grandes preocupações dali em diante. Após um desastroso início do ano letivo, Moncho conhece Roque (Tamar Novas), aquele que viria a ser seu melhor amigo, e percebe que o culto e dedicado professor Don Gregorio (o veterano e perfeito Fernando Fernán-Gomes) é, antes de mais nada, um homem que o guiará no caminho do conhecimento.

Os adultos que povoam o mundo de Moncho são, em sua maioria, republicanos convictos. Homens e mulheres que acreditam que só a liberdade pode levar o ser humano a encontrar a verdadeira felicidade. Mas o menino não se preocupa com estas questões. Afinal, entender os mistérios da natureza - que até as mariposas têm línguas ou como acontece a estranha química sexual que aproxima as pessoas - lhe é muito mais importante. Como também para todos os meninos e meninas do mundo. Talvez aí resida uma possível resistência à esta história singela, principalmente por aqueles acostumados com os excessivos efeitos técnicos e dramáticos comuns na cinematografia contemporânea.

A câmera de Cuerda registra pequenos movimentos cotidianos de um povo, que viria a ser tragado pela estupidez da guerra, com muita ternura, dando uma dimensão universal à curiosidade infantil de Moncho e buscando dissecar a escolha entre a coragem e a covardia diante de um inimigo aparentemente indestrutível. A música desbragadamente romântica de Alejandro Amenábar (diretor de Os Outros) é o único senão deste filme que prega a tolerância como saída para a paz.

Ana Vidotti


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