O bar Luva Dourada

Ficha técnica


País


Sinopse

Fritz Honka foi um serial killer que nos anos de 1970 causou pânico em Hamburgo, onde matava e mutilava mulheres, num bairro boêmio da cidade.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

03/07/2019

O diretor turco-alemão Fatih Akin sempre foi um tanto irregular, alternando bons momentos – como com seus premiados Contra a parede, Soul kitchen e Em pedaços – com outros nem tanto. Mas ele nunca havia feito um filme tão embaraçosamente ruim como este O bar Luva Dourada, que mira em Fassbinder e acerta o pior de Lars Von Trier.
 
O ponto de partida é um assassino em série que tocou terror na Hamburgo dos anos de 1970, matando e mutilando mulheres escolhidas num bairro boêmio, onde também se situava seu bar preferido, o Luva Dourada. Fritz Honka (Jonas Dassler, debaixo de uma maquiagem pesadíssima) é deformado física e moralmente. Não existe, é claro, problema algum em colocar um sujeito assim como protagonista – até porque no mundo existem homens como ele aos montes. A questão é, no entanto, transformar num fetiche o que pode haver de mais grotesco no ser humano.
 
Akin filma com certo gosto os atos mais brutos de seu protagonista, mesmo quando alguns ocorrem fora de quadro – como quando Honka serra, na primeira cena, a cabeça de uma mulher, não vemos esse detalhe, mas ainda assim ouvimos o barulho do serrote. O prazer do filme está em retratar coisas escabrosas, algumas nojentas, sem jogar uma luz na essência desse homem, cujo comportamento tóxico é pautado por abusos físicos e mentais contra mulheres.
 
Ao contrário de Fassbinder, que procurava o que poderia haver de mais humano nos homens e mulheres jogadas à margem da sociedade, Akin gosta de explicitar, sem muita justificativa, o que há de pior neles. É praticamente uma celebração do grotesco, do horror, pelo simples fato de celebrar. Seja lá o que o diretor tinha em mente, é pouco provável que fosse o filme que resultou – alguma coisa deve ter se desvirtuado no meio do caminho. O bar Luva Dourada é o tipo de longa que, alguns anos atrás, as pessoas chamariam de ousado, mas agora (ao menos parece) tem-se consciência de ser mera exploração – quase glamourização – da psicopatia e misoginia de um homem doentio, cujo posto de protagonista aqui nunca é justificado. 

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 28/08/2019 - 14h41 - Por PAULO CESAR RUSCHEL Pena que você não entendeu nada deste grande filme. Ou nem teve boa vontade para tentar entender. Sugiro que leia as críticas do Globo e da Folha de São Paulo sobre esta obra-prima de Fatih Akin, para ter outra percepção.
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