Christabel

Christabel

Ficha técnica


País


Sinopse

Christabel é uma jovem que mora com o pai viúvo nos arredores do rio Araguaia. Solitária, com a viagem do noivo, ela dá abrigo a uma desconhecida que foi atacada e ferida por um grupo de homens. Essa mulher transforma a vida da moça.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

22/02/2021

Partido do poema homônimo e inacabado de Samuel Taylor Coleridge, Christabel é um filme de climas, de sussurros que leva para um lugar remoto do Brasil a história criada, no século XVIII, de uma vampira. Escrito e dirigido por Alex Levy-Heller (Jovens Polacas), o longa constrói sua narrativa lentamente, num fogo brando, até sua conclusão um tanto apressada e abrupta.
 
Contando com quase duas horas de duração, Christabel ganharia com uma narrativa mais enxuta e concentrada, pois algumas cenas parecem perdidas e longas para muito além do necessário – como o encontro entre o pai da protagonista (Julio Adrião) com um sanfoneiro numa estrada.
 
A protagonista é Christabel (Milla Fernandez), uma jovem que mora numa pequena casa um tanto isolada com o pai, próxima ao Rio Araguaia. Depois de se despedir do seu noivo (Nill Marcondes), que partirá em viagem, numa noite de insônia, ela sai para andar nos arredores quando encontra Geraldine (Lorena Castanheira), uma mulher pouco mais velha que ela, ferida e assustada. Acaba dando-lhe abrigo em sua casa, o que mexerá com a harmonia que existe entre a jovem e o pai. Ambos ficam interessados naquela nova presença feminina na casa.
 
Christabel é jovem, e está descobrindo sua sexualidade, e a ausência do noivo serve como um catalisador para despertar uma espécie de desejo por aquela desconhecida. O clima que se instaura é de desconforto e curiosidade, e de algo latente prestes a explodir, e adivinhar o que não é uma tarefa muito difícil.
 
Como em Jovens Polacas – seu filme posterior, mas lançado antes nos cinemas -,Levy-Heller está interessado em questões bastante femininas, como a posição da mulher numa sociedade dominada por homens. A (vampira) Geraldine é a libertação de Christabel, diante da opressão do pai, do noivo ausente e infiel, de um mundo que lhe nega o desejo e a sexualidade. Como no outro, é um filme repleto de boas intenções, e uma ótima fotografia – assinada por Vinicius Berger –, que merecia uma narrativa mais bem lapidada. Falta foco à condução da trama. As repetições de motivos e as digressões com outros personagens ajudam a diluir o interesse pela protagonista e sua força. De qualquer forma, ajuda bastante que as duas atrizes principais, Fernandez e Castanheira, estejam bastante bem.

Alysson Oliveira


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