Bio - Construindo uma vida

Ficha técnica


País


Sinopse

O falso documentário acompanha os mais de 100 anos de vida de um cientista brasileiro (ficcional). Com depoimentos de parentes, amigos e colegas de trabalho, o filme resgata a trajetória desse personagem.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

27/03/2019

Bio - Construindo uma vida é um caso clássico de uma boa ideia mal executada. Escrito e dirigido por Carlos Gerbase, é um falso documentário sobre um cientista (ficcional) que viveu por mais de 100 anos. Na tela, o que vemos são as “cabeças falantes” típicas do gênero documental, que dão seu depoimento sobre sua relação com esse sujeito peculiar.
 
Acompanhamos a vida do protagonista desde sua concepção, pois os primeiro depoimentos são dos pais, interpretados por Artur Pinto e Carla Cassapo, que falam sobre a noite em que conceberam o caçula. De maneira rígida, a narrativa acompanha momentos-chave na vida do biografado, como o vestibular, ou o momento em que ele abandonou o curso de Direito para estudar Biologia. São sempre depoimentos curtos cobrindo esses períodos, dados pelas pessoas que estiveram em contato com o protagonista, um especialista no estudo da linguagem de macacos bugios.
 
Além disso, desde a infância, detectou-se no então garoto a particular incapacidade de mentir – toda vez que ia contar uma mentira, ele passa mal. O filme estaria aí brincando com a própria questão da veracidade de uma narrativa, de como um documentário cria, na verdade, uma história a partir de depoimentos que, até certo ponto, possam ser inventados – mesmo que de maneira inconsciente. O elenco inclui ainda nomes como Maria Fernanda Cândido, Maitê Proença, Bruno Torres, Rosanne Mullholand, Tainá Müller e Sheron Menezzes.
 
A estrutura é curiosa, pois os personagens relatam os fatos como se estivessem acontecendo naquele momento, sem uma nostalgia de documentário que olha para o passado. Mas, ao mesmo tempo, a organização vai se tornando confusa, na medida em que o biografado acumula esposas, filhos e filhas. Quase duas horas de cabeças falantes, sobre um sujeito que nem conhecemos, começam, a certa altura, se tornar enfadonhas.
 
O problema mais sério aqui, no entanto, está na direção dos atores e atrizes. Estranhamente, o filme ganhou, no Festival de Gramado de 2017, um prêmio pela direção de elenco. Excetuando raras exceções – talvez apenas Marco Ricca, como um psicólogo com quem se consulta o biografado ainda na infância –, as interpretações são vacilantes. A sensação é de que atores e atrizes apenas decoraram as falas de suas cenas, sem se darem ao trabalho de criar uma vida pregressa aos seus personagens, o que resulta em algo forçado. É difícil acreditar nos depoimentos que existem apenas para efeito de documentário. E, se não se acredita nessas pessoas, Bio não se sustenta. 

Alysson Oliveira


Trailer


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