Calmaria

Ficha técnica


País


Sinopse

Baker Dill é um pescador obcecado por capturar um atum gigante, o que consome os seus dias e seu dinheiro. Um dia, sua ex-mulher o procura com uma proposta tentadora: matar o atual marido abusivo dela em troca de uma fortuna.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

13/02/2019

Calmaria é um filme para quem gosta de promoção, daquele tipo que se paga por um e leva meia-dúzia de uma vez – o problema é que nenhum deles é, minimamente, bem-resolvido, então, o resultado tende a não satisfazer em nenhuma das várias narrativas que se acumulam. Seja lá o que o roteirista e diretor Steven Knight tinha em mente, é impossível que ele tenha planejado fazer o que resultou no que se vê na tela.
 
O longa começa como um Moby Dick contemporâneo, no qual Baker Dill (Matthew McConaughey), tenta, por algum motivo, obsessivamente capturar um certo atum gigante. Ele tem um barco que leva turistas para alto-mar para pescar, e seu imediato é um morador local (Djimon Hounsou). O protagonista está, porém, com pouco dinheiro e, às vezes, ganha alguns trocados da sua amante (Diane Lane). Os primeiros minutos estabelecem isso, até que Knight transforma seu filme num noir ensolarado.
 
Filmado na República de Maurício – e financiado localmente –, o longa transforma-se, a certa altura, numa espécie de Pacto de Sangue tropical, quando a personagem de Anne Hathaway, Karen, entra em cena. Logo descobrimos que ela e Dill foram casados – quando ele tinha outro nome, outra identidade, antes de ir para a guerra no Iraque –, e juntos tiveram um filho. Ela procura o ex-marido porque tem um plano para matar o atual cônjuge, Frank Zariakas (Jason Clarke), um sujeito violento e abusivo, que gosta de aventuras, e pescar em alto-mar. Ela colocou na cabeça dele que é uma boa ideia  aventurar-se no barco de Dill e oeferece pagar ao ex-marido uma pequena fortuna para que ele empurre o sujeito no mar.
 
Knight é um roteirista competente – responsável por filmes como Coisas belas e sujas, Senhores do Crime e a série Taboo. Por isso, é de se desconfiar de todos os clichês que ele vai jogando na tela de maneira quase aleatória: o lobo do mar solitário obcecado com o peixe, a femme fatale, o marido violento, além dos diálogos (que parecem propositalmente artificiais. E, realmente, ele está brincando com convenções de gênero, até que sua brincadeira o leva longe demais, colocando em cena uma reviravolta tão estapafúrdia quanto óbvia e boba. E o filme vai para outro gênero: a ficção científica.
 
O problema não é nem que a trama se torne cada vez mais absurda, ou que McConaughey e Hathaway pareçam desesperados para receber logo seus cachês e irem para um outro trabalho. Também não importa que quando o diretor não sabe como resolver um obstáculo na narrativa, algum personagem sempre diz: “Aqui todo mundo sabe de tudo”. Seria possível fazer vista grossa a tudo isso, se houvesse alguma recompensa quando o filme chegasse à conclusão. Mas, ao fim, tudo é sem graça e parece de segunda-mão.
 
É fácil imaginar o que Knight e seus produtores tinham em mente com essa reviravolta: lembra quando o público voltava ao cinema para rever (algumas pessoas várias vezes) O 6o sentido e caçar, ao longo do filme, as pistas da grande revelação final? Então, era mais ou menos nisso que Knight mirou mas, no caso do filme de Shyamalan, as pessoas diziam “Oh” quando descobriam o que estava acontecendo com os personagens. Aqui, é mais provável que digam “Hahaha”. 

Alysson Oliveira


Trailer


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