Crimes obscuros

Ficha técnica


País


Sinopse

Tadek é um policial polonês que investiga um crime. Todas as pistas o levam a um escritor que descreveu, em um livro, o assassinato antes que esse acontecesse.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

19/02/2019

Jim Carrey ficou famoso fazendo caras e bocas em meados dos anos de 1990, com comédias como O Máskara, Ace Ventura: Um detetive diferente, e Debi e Lóide: Dois idiotas em apuros. Alguns anos depois, ele tentou se provar um ator sério e conseguiu com O show de Truman, O mundo de Andy e Brilho eterno de uma mente sem lembranças (três títulos pelos quais ele merecia, ao menos, ter sido indicado ao Oscar). Mas em Crimes obscuros, o ator combina o pior desses dois mundos: as caretas (aqui, involuntárias) com o virtuosismo de uma interpretação dramática forçada.
 
Verdade seja dita, Carrey não é o único problema deste filme de 2016 que só agora chega ao circuito brasileiro. Tudo é ruim aqui. Desde a trama surrada que tenta se vender como sofisticada, como o cenário polonês, até os coadjuvantes (entre eles Marton Csokas e Charlotte Gainsbourg), e a direção canhestra do grego Alexandros Avranas (Miss Violence). Nada funciona, tudo parece feito pela metade – especialmente o sotaque ruim de Carrey.
 
Ele é Tadek, um detetive de polícia outrora respeitado que agora caiu em desgraça no departamento, mas que não consegue deixar de investigar um caso envolvendo um colega Greger (Robert Wieckiewicz), que foi promovido. O crime parece, literalmente, saído das páginas de um romance de um escritor chamado Krystov Kozlow (Marton Csokas). Está tudo lá no livro, descrito com detalhes, antes de acontecer na vida real. O caso se mostra cada vez mais sórdido – com requintes de crueldade, sadismo e um clube de sexo.
 
Avranas, como boa parte dos diretores gregos da nova geração, não tem pudor em mostrar a crueldade de que os humanos são capazes – basta ver a cena de abertura de seu Miss Violence. Aqui ele encontra material suficiente para isso mas, no fundo, o filme parece um exercício estéril apenas disso: da crueldade de que se é capaz, embalada numa estética minimalisticamente marrom-acinzentada de um leste europeu gélido. A perversidade é exagerada – desde as primeiras imagens com a nudez feminina – num filme que beira a misoginia.
 
O roteiro é baseado num artigo de David Grann publicado na revista The New Yorker, sobre um escritor preso porque um de seus romances trazia a resolução para um crime nunca resolvido. A situação tem potencial para um thriller, mas é preciso unidade, é preciso que todos os envolvidos estejam em sintonia – o que, claramente, não é o caso aqui. O roteirista Jeremy Brock parece mirar num suspense mais acessível, mesmo pesado; o diretor quer algo mais cerebral; e o elenco quer sair logo de cena. E todos, se tiverem bom senso, querem esquecer que um dia fizeram este filme.

Alysson Oliveira


Trailer


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