Colette

Ficha técnica


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Sinopse

Colette é uma jovem interiorana, que vive à sombra do marido, um famoso escritor cujas obras são escritas por diversas pessoas com mais talento do que ele, inclusive por sua mulher. Quando cria uma personagem de sucesso, Claudine, protagonista de uma série de romances, ela resolve que está na hora de lançar sua própria carreira.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

04/12/2018

O primeiro estranhamento em Colette, um filme sobre uma das maiores escritoras francesas, é ser todo falado em inglês. Outro grande estranhamento é ver que, a essa altura da história do cinema, ainda haja quem faça filme de época tão empoeirado. Foi-se o tempo em que os longas históricos eram todos pesados, cheios de pompa e circunstância. No entanto, este filme é assim – embora aspire trazer um ângulo contemporâneo e feminista à personagem, perde-se em meio à poeira do tempo.
 
Sidonie Gabrielle Colette (Keira Knightley) foi uma escritora de sucesso, no começo do século passado. Mas, para isso, precisou sair da sombra do marido, Henry Gauthier-Villars (Dominic West), cujo pseudônimo era Willy. Na verdade, ele era mais um usurpador com pouco talento, tendo várias pessoas, inclusive Colette, escrevendo para ele e publicando estes textos de seus ghost writers com se fossem obras suas. O grande drama da protagonista é, sendo uma mulher, sair da sombra dele e publicar suas obras com seu próprio nome.
 
É uma trama de machismo e opressão e isso é um dos temas mais caros do cinema contemporâneo. Mas o diretor Wash Westmoreland dirige tudo de maneira tão burocrática que chega a tornar a vida e os tempos de Colette enfadonhos. É o tipo de filme que precisa de letreiros avisando o lugar e a época em que se passa, dando a sensação de que, sem isso, o público não conseguiria acompanhar a narrativa.
 
O filme é bem-sucedido, no entanto, quando tenta capturar um fenômeno cultural, como a personagem Claudine, criada por Colette, que se tornou febre na França. A questão é que, embora escritas por ela, as histórias não vinham assinadas em seu nome. Sua luta contra o marido é para poder assumir a autoria da série de sucesso de romances. Colette não é tola e vê o marido como ele é: um bufão golpista e mulherengo. Assim sendo, seu esforço é sair do círculo vicioso que oprime sua criatividade e poda o seu sucesso.
 
O filme mira claramente na sensibilidade e assuntos do presente, especialmente quando entra em cena Missy (Denise Gough), uma jovem de origens nobre que prefere usar roupas masculinas, com quem a protagonista se envolve romântica e sexualmente. Na época, o caso provocou escândalo – especialmente uma pantomima que as duas faziam no Moulin Rouge, na qual trocavam um beijo. A produção teve de ser retirada de cartaz. E, como o filme procura dizer, ainda hoje elas enfrentariam repressão.
 
Colette é repleto de boas intenções – especialmente quando quer discutir politicas de gênero – mas sem brilho. É uma obra que joga todo o seu peso na figura da biografada e sua vida extraordinária. Porém, é preciso fazer um esforço para acreditar que a vida da escritora foi extraordinária, pois o longa é um tanto pálido e engessado em sua ansiedade em reconstruir uma época.   

Alysson Oliveira


Trailer


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