Egon Schiele - Morte e donzela

Ficha técnica


País


Sinopse

Filho de um ferroviário que morreu quando ele ainda era adolescente, Egon Schiele cresce obcecado pelo desejo de pintar, na Viena do início do século XX. Sua melhor amiga e primeira musa é a irmã caçula, Gerti - que aceita, inclusive, posar nua para ele, causando escândalo na época.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

02/07/2018

Egon Schiele – Morte e a Donzela, de Dieter Berner, é o tipo de cinebiografia de um artista, no caso, o pintor expressionista austríaco Egon Schiele (1890-1918), que procura recriar o tempo e o ambiente em que ele viveu e criou.
 
Schiele viveu apenas 28 anos e teve vida conturbada. Filho de um pai ferroviário que morreu de sífilis e, antes de morrer, queimou parte dos bens da família, ele foi um precoce frequentador da Academia de Artes de Viena, tornando-se o aluno mais jovem de sua história ao entrar ali com 16 anos. Permaneceu apenas 3 anos, o bastante para lançar-se ao sabor de uma época ao mesmo tempo conturbada por guerras e conflitos e também impregnada das experimentações de algumas das vanguardas mais importantes da história da arte.
 
O jovem Schiele (Noah Saavedra) logo se descobriu um apaixonado pelas formas femininas, que ele pinta obsessiva e escandalosamente, para os padrões de sua época – ainda mais porque sua primeira modelo foi a própria irmã caçula, Gerti (Maresi Riegner). Este relacionamento peculiar com a irmã – em que alguns enxergam sinais de incesto – foi um dos mais importantes de sua vida, já que ambos sempre se protegeram.
 
Mas o erotismo de Schiele voltava-se mesmo para suas outras musas – como a artista de cabaré negra Moa Mandu (Larissa Breidbard) e, depois, a modelo que ele roubou de Gustav Klimt (Cornelius Obonya), Wally (Valerie Pachner). Wally, uma ex-prostituta e uma mulher muito livre e destemida, foi o grande amor do pintor, sua musa no famoso quadro, Morte e a Donzela, que empresta seu título a este filme.
 
Fiel aos principais detalhes da vida do artista, o filme de Berner não se desvia dos aspectos mais polêmicos de sua vida – como o julgamento enfrentado por ele, em 1912, sob acusação de pedofilia (do qual foi absolvido). Da mesma forma, vê-se como o pintor pensava, acima de tudo na sua arte, consumindo-se numa obsessão criativa alimentada por uma vida boêmia e recheada de excessos, muito dependente das mulheres de sua vida.
 
Um dos aspectos mais contraditórios desta dependência é quando Schiele resolve casar-se, por conveniência econômica, com Edith (Marie Jung) – depois de ter flertado com sua irmã mais velha, Adele (Elisabeth Umlauft) – sem, no entanto, pretender de verdade separar-se de Wally. É ela, no entanto, quem não aceita este estado de coisas.
 
O jovem ator Noah Saavedra imprime notável energia na entrega a um personagem em quase permanente estado de combustão, um homem siderado em sua procura de expressão, ainda que sacrificasse as pessoas à sua volta e, finalmente, a si mesmo. É comovente também a interpretação de Maresi Riegner como sua irmã, a personagem que tem um arco evolutivo mais denso.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 25/07/2018 - 18h18 - Por Marcia j s Zanotti Bom filme
    Linda fotografia
    Luz que imprime um tom onírico ao filme
    Belas interpretações
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