Western

Ficha técnica


País


Sinopse

Quando trabalhadores alemães se instalam na Bulgária, para a construção de uma usina hidrelétrica, eles não são bem recebidos pelos moradores locais. Mas um deles tenta mostrar que não é um mau sujeito.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

04/01/2018

A palavra “Western”, do título do filme da diretora alemã Valeska Grisebach, tem uma conotação dupla: refere-se tanto ao gênero cinematográfico tipicamente norte-americano quanto à posição de seus personagens centrais, um grupo de alemães que trabalham na Bulgária (que, no caso, representa o leste). O longa trabalha nessas duas chaves, investigando a relação entre esses homens e os habitantes de uma região fronteiriça greco-búlgara. Como em seus filmes anteriores, Grisebach trabalha com um elenco de não-atores e extrai deles interpretações naturalistas, numa trama contida, de poucos diálogos e ação.
 
O caubói principal aqui é Meinhard (Meinhard Neumann), um sujeito bigodudo e taciturno que trabalha com outros colegas alemães construindo uma hidroelétrica. O grupo está, a princípio, isolado, e o protagonista é hostilizado quando se aventura no vilarejo rural próximo à construção. Mas, aos poucos, ele cai nas graças de alguns moradores – o mesmo não acontece com seus colegas, especialmente com Vincent (Reinhardt Wetrek), que é grosseiro, falastrão, e, às vezes, abusivo, e se torna persona no grata ao hastear uma bandeira alemã no campo de trabalho.
 
A linguagem é a maior barreira entre os alemães e os búlgaros. Mas Meinhard, em suas poucas palavras e jeito contidamente doce, tem um certo carisma, um jeito de conquistar, especialmente os mais jovens, que ficam encantados ao saber que ele é um ex-legionário que serviu no Afeganistão e na África. Mas há uma ferida histórica separando os alemães dos búlgaros, e Meinhard precisa provar que suas intenções são nobres.
 
Meinhard chega à cidade pela primeira vez montando num cavalo que encontrou perdido na montanha, e não quer nada além de comprar um cigarro – o que a dona do bar local nega a ele. Não poderia haver imagem e motivo mais icônicos do western do que esses. Logo o protagonista se torna amigo de Adrian (Syuleyman Alilov Letifov), o dono do animal.
 
As interpretações – tanto dos alemães, em especial Neumann e Wetrek, quanto dos búlgaros e búlgaras – são naturais. E, com as barreiras da comunicação, a diretora sonda como os conflitos podem vir da falta de compreensão mútua – é uma forma alegórica um tanto óbvia, mas também eficiente, que Grisebach encontrou para representar o gatilho dos conflitos de cunho internacional, especialmente entre o ocidente e o oriente.
 
Grisebach investiga também a dinâmica de pequenos poderes que se dá dentro da União Europeia e as fraturas que essa comunidade enfrenta no cotidiano. O filme, porém, alcança um poder universal ao falar do medo do outro, do estranho freudiano – tão parecido, e, ao mesmo tempo assustador, exatamente por ser igual, mas diferente.

Alysson Oliveira


Trailer


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