Columbus

Ficha técnica


País


Sinopse

Casey mora em Columbus e sonha estudar arquitetura, mas não tem coragem de abandonar a cidade ou sua mãe. Jin é um tradutor que mora em Seul, mas precisa ir para essa mesma cidade quando seu pai passa mal e é hospitalizado.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

06/09/2017

Columbus, a cidade no estado norte-americano de Indiana, é conhecida como a “meca da arquitetura modernista”. Prédios desse estilo foram construídos não para serem (apenas) admirados – o que também não são impedidos de o ser – mas para servirem exatamente para o que prédios servem: abrigar bancos, escolas, igrejas, comércios. Columbus, o filme do videoartista Kogonada, tira proveito dessa mítica que atinge o local e cria uma narrativa na qual tempo e espaço se juntam na percepção dos personagens em busca de um sentido para o momento em que vivem.
 
Desde a primeira imagem, o diretor deixa claro como a arquitetura será importante na condução do filme e, alternadamente, traz ao centro do palco ora os personagens, ora o cenário. O resultado é um estudo tanto de personagens quanto de cenário, e a maneira como a qual um toca o outro e vice-versa. Kogonada constrói um filme visualmente bonito e sofisticado – a maneira como ele e o diretor de fotografia, Elisha Christian, incorporam a paisagem natural e a urbana é impressionante -, e também intelectualmente instigante.
 
Tudo isso, no entanto, não é surpreendente, basta ver os vídeo-ensaios do diretor em sua página no Vimeo (https://vimeo.com/kogonada) para se ter uma ideia do que ele é capaz de fazer com uma câmera na mão. Mas também corria-se o risco de o resultado ser anódino, não fosse a profunda dimensão humana que ele é capaz de impregnar em seus personagens. Talvez seja aí, mas do que no esmero estético, que o filme cresce. Jin (John Cho) é um jovem americano-coreano que trabalha em Seul, onde traduz livros do inglês para o coreano. Ele precisa ir a Columbus quando seu pai, um historiador de arquitetura, passa mal e vai parar no hospital.
 
Na cidade, conhece Casey (Haley Lu Richardson), jovem residente que terminou o ensino médio, sonha estudar arquitetura mas não tem coragem de abandonar a cidade e a mãe (Michelle Forbes). Os dois travam uma amizade – ela tinha muito interesse em assistir à palestra do pai dele que foi cancelada –, e andam pela cidade, conversando sobre a vida, a religião e os significados da arquitetura. Como complicadores, há dois personagens paralelos: um bibliotecário (Rory Culkin) interessado em Casey; e uma amiga do pai de Jin (Parker Posey), em quem o tradutor tinha interesse quando adolescente.
 
A disposição das figuras humanas em relação à arquitetura tenta dimensionar os dramas pessoais e interiores em relação à ocupação do espaço. Mas nem sempre os personagens estão cientes dessa dinâmica – a arquitetura liberta ou oprime? Ou é capaz de ser sintetizada em algum ponto entre esses dois extremos? Casey pode ser leve e involuntariamente exibicionista e, ao contar que um banco inteiramente de vidro foi construído pelo finlandês Eero Saarinen, Jin a coloca contra a parede de vidro da construção e pergunta: “Mas o que o prédio te faz sentir?” É nessa dialética entre a aparência e o sentimento que Kogonada tece sua narrativa.
 
Claramente o cineasta japonês Yasujiro Ozu – e em especial seu Era uma vez em Tóquio – é uma influência aqui. O tema caro ao nipônico se coloca ao centro de Columbus: o conflito de gerações – especialmente na dinâmica entre o dever e o sonho –, as discordâncias nas visões de mundo e expectativas de futuro. Casey, numa delicada interpretação de Haley Lu Richardson, materializa-se como um vértice de uma complicação: ficar ou partir? Sair da zona de conforto? Jin pode ser apenas o catalisador dessa escolha. E independentemente do que façam de suas vidas, poderão sempre dizer: “Nós sempre teremos Columbus”.

Alysson Oliveira


Trailer


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