Apesar da noite

Ficha técnica


País


Sinopse

Lenz volta a Paris em busca de uma misteriosa mulher, Madeleine. Envolve-se com Helène, uma jovem enfermeira que nas horas vagas envolve-se com jogos de perversão sadomasoquista, que ultimamente a levam ao encontro do submundo dos "snuff movies".


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

06/04/2017

Praticamente desconhecido no Brasil, o diretor francês Philippe Grandieux é conhecido em seu país por um estilo experimental, que procura formas alternativas de narrar suas histórias, inclusive visualmente.
 
Seu quarto filme, Apesar da noite, chega ao país para apresentar suas credenciais e o faz com o peso de uma duração de 2h36 que se sentem a cada segundo. É uma história mórbida e sinistra, com roteiro assinado a quatro mãos, pelo próprio diretor e também por John-Henry Butterworth, Bertrand Schefer e Rebecca Zlotowski (diretora conhecida por Grand Central).
 
Lenz (Kristian Marr) volta a Paris em busca de uma mulher misteriosa, Madeleine – e a sequência inicial, numa discoteca enevoada, onde ele reencontra o amigo Louis (Paul Hamy, de O Ornitólogo), é um aviso sobre o terreno instável sobre o qual se desenvolvem as sensações de todos os envolvidos, especialmente Lenz.
 
Ele se envolve com uma enfermeira, Helène (Ariane Labed, de A odisseia de Alice e Assassin’s Creed). Ela trabalha numa instituição de atendimento a idosos e, em suas horas livres, dedica-se a jogos sexuais violentos e de alto risco pessoal. Há um certo voyeurismo perverso nestas sequências que acompanham Helène a esses ambientes, localizados na cena underground de um mundo pornô sadomasoquista que, finalmente, se aproxima dos snuff movies.
 
David Lynch, a quem alguns críticos franceses comparam Grandieux – com enorme exagero – lida muito bem com esta espécie de tema, ambiente e perversões em geral. O cineasta norte-americano é capaz de tirar de suas histórias oníricas, não raro, momentos de puro enlevo cinematográfico no meio de delírios reveladores dos aspectos mais intrigantes e complexos da alma humana. Grandieux está longe de equiparar o mesmo senso visual e dramatúrgico, muito longe. Este seu filme resvala num vazio doentio, que não é capaz de dar muito o que fazer mesmo a atores reconhecidamente talentosos, como Ariane Labed, a quem cabe a maior carga de sofrimento, com uma personagem doentiamente desprovida de qualquer auto-estima, vincada num caminho de auto-destruição finalmente incompreensível, por conta das deficiências narrativas de um filme que parece interminável.

Neusa Barbosa


Trailer


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