8 Mile - Rua das Ilusões

Ficha técnica


País


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Crítica Cineweb

20/03/2003

Este retrato da periferia de Detroit, ambientado em 1995 e encharcado da violência do rap, é feito à imagem e semelhança de Marshall Mathers, mais conhecido como Eminem. Afinal, o rapper de 30 anos está em seu elemento, na cidade onde cresceu (ele nasceu em St. Joseph, Missouri), à frente do elenco, numa história profundamente impregnada de detalhes de sua própria biografia.

Como o protagonista, Jimmy "Rabbit", Eminem foi um garoto branco numa vizinhança barra-pesada, separada do resto da cidade pela Estrada 8 Mile - que dá nome ao filme -, de esmagadora maioria negra, nada tolerante com a sua cor e pretensão de abrir lugar no mundo do rap, outro território quase exclusivamente afro-americano. Como a mãe do próprio Eminem, a mãe de Jimmy, Stephanie (Kim Basinger, totalmente desglamourizada) também ameaça pôr o filho porta fora do trailer que ele momentaneamente divide com ela, numa hora em que o rapaz está na pior. Eminem largou a escola para trabalhar, mas como cozinheiro de um restaurante suburbano - na tela, o personagem é metalúrgico.

Portanto, o ator-cantor conhece bem a rotina que interpreta na tela, de dia trabalhador, de noite concorrente numa feroz disputa de rappers - onde sobem ao palco dois candidatos de cada vez, que têm de improvisar longas letras olhos nos olhos um para o outro, diante de uma platéia tão frenética quanto uma torcida de jogo de futebol. Não admira que Jimmy trave totalmente, ainda que o apresentador da disputa seja seu amigão do peito, Future (Mekhi Phifer). O herói vai ter que esperar uma revanche, com o apoio decidido de sua turma: o intelectualizado DJ Iz (De'Angelo Wilson), o gordinho Sol (Omar Benson Miller) e o único outro branco do pedaço, "Cheddar" Bob (Ewan Jones).

A aspereza do ambiente é captada pela fotografia despojada de Rodrigo Prieto (Amores Brutos), pelas situações do roteiro de Scott Silver e pelas letras extremas dos raps - repletas dos habituais palavrões e ofensas contra mulheres e homossexuais, além de alusões que se podem considerar racistas ou fascistas sem nenhum exagero. Nada de estranhar. O rap, como as ruas, não tem nada de politicamente correto. Quem se incomodar com essa fúria, deve manter distância do filme.

Mesmo tendo reservas quanto a esse aspecto, não há como ignorar que o diretor Curtis Hansom (de L.A. - Cidade Proibida) fez um bom trabalho, que obteve resposta exatamente da platéia que visava, os adolescentes urbanos - e levantamentos recentes mostram que os jovens entre 12 e 24 anos representam a metade do público cinematográfico americano. Tanto que o filme já se aproxima de uma bilheteria mundial em torno dos US$ 200 milhões, cerca de US$ 120 milhões só nos EUA. E o brigão Eminem ainda conseguiu uma inesperada aura de respeitabilidade ao cravar uma indicação ao Oscar de melhor canção para Lose Yourself, apresentada na subida dos créditos finais.p>Cineweb-21/3/2003

Neusa Barbosa


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