Um estado de liberdade

Ficha técnica


País


Sinopse

No final da guerra da Secessão, o soldado confederado Newton Knight deserta e torna-se um fugitivo. Unindo-se a brancos pobres, explorados por soldados confederados corruptos, e escravos fugidos, ele lidera uma rebelião no Mississippi.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

09/11/2016

Partindo de fatos reais, o drama histórico Um estado de liberdade, de Gary Ross, resgata a figura ambígua de Newton Knight (Matthew McConaughey), que chefiou uma rebelião no Mississippi unindo fazendeiros brancos pobres e escravos fugitivos ao final da guerra da Secessão (1861-1865).
 
Se há um enfoque novo aqui, ele reside em mostrar as divisões dentro das próprias fileiras confederadas em torno de questões como a escravidão – que beneficiava, na verdade, aos grandes proprietários rurais brancos do sul. Pequenos fazendeiros, como Newton, nem tinham escravos e sentiam que estavam lutando numa guerra errada. Um sentimento que se acentua quando a carnificina no front aumenta e ele assiste à morte de um sobrinho (Brian Lee Franklin), um quase menino que acabara de chegar ao front.
 
Desertando para levar de volta para casa o corpo do jovem, Newton descobre sua família e a dos demais pequenos fazendeiros extorquidas por oficiais confederados, que as ameaçam para que entreguem seus bens, gado e alimentos. Enfrentando estes oficiais, Newton tem que rapidamente transformar-se em fugitivo, deixando para trás a mulher, Serena (Keri Russell), e seus filhos. E acha refúgio num pântano próximo, que já funciona como esconderijo de diversos escravos fugidos, entre eles, o carismático Moses (Mahershala Ali).
 
Aos poucos, forma-se ali um núcleo rebelde, com decisivo apoio de alguns infiltrados, como a escrava Rachel (Gugu Mbatha-Raw), que traz comida e notícias. Na pequena comunidade, que vai recebendo novos fugitivos, Newton torna-se o líder que não permite manifestações racistas, entendendo que negros e brancos compartilham os mesmos problemas.
 
A iminente derrota do sul confederado na guerra dá esperanças ao grupo, que sai para lutar pela unificação de um novo país em novas bases. Mas a decepção também os espera nestes tempos da Reconstrução, quando os novos líderes muito rapidamente anistiaram os antigos fazendeiros sulistas e racistas, permitindo que, naquela região, os negros fossem novamente explorados e até assassinados pela recém-criada Ku Klux Kan.
 
Roteirizado também por Gary Ross, o filme tem como outro mérito levantar uma discussão sobre os crimes e omissões da Reconstrução, com efeitos que se fazem sentir até hoje. Não funciona tão bem, no entanto, o recurso a uma alternância de épocas entre os acontecimentos do século XIX e um julgamento no Mississippi nos anos 1960, quando um descendente de Newton e Rachel era julgado por ter feito um casamento “miscigenado” (proibido legalmente no estado até 1967). 

Neusa Barbosa


Trailer


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