Michelle e Obama

Ficha técnica

  • Nome: Michelle e Obama
  • Nome Original: Southside with you
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2016
  • Gênero: Drama
  • Duração: 84 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Richard Tanne
  • Elenco: Tika Sumpter, Parker Sawyers

País


Sinopse

No final dos anos de 1980, Barack Obama e sua futura mulher, Michelle Robinson, saem juntos pela primeira vez num calorento sábado de verão. Ele está apaixonado por ela, mas a moça não quer se envolver com um colega de trabalho.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

09/11/2016

O título e o pôster de Michelle e Obama talvez sejam um tanto enganosos, dando a ideia de um drama romântico sobre a juventude do presidente dos Estados Unidos e da primeira dama. Nada mais errado do que isso. O filme de Richard Tanne é uma recriação ficcional da primeira vez que o casal – que ainda não era um casal, mas colegas de trabalho – saiu junto.
 
Todo mundo já sabe onde essa história irá chegar – casamento, Casa Branca. Mas a graça no filme, roteirizado pelo próprio diretor, está na construção de um suspense do tipo “será que eles vão ficar juntos” – mesmo todo mundo sabendo que irão. A trama se passa numa tarde calorenta na Chicago de 1989, quando Michelle (Tika Sumpter, de Salt)  já é uma advogada num escritório de renome, e Barack (Parker Sawyers, de A Hora Mais Escura), estudante de direito, em Harvard, fazendo um estágio de verão na empresa onde ela trabalha. Ele está se apaixonando por ela – mas a moça resiste por diversos motivos.
 
Ela sabe que haverá falatório se eles se envolverem – ela é a chefe dele, e o fato de ser uma mulher e negra já pesa sobre ela, fazendo que seja “vigiada” o tempo todo. Ela precisa provar permanentemente sua competência. Ele sabe de tudo isso, mas não desiste de tentar conquistá-la. O pretexto para o primeiro encontro é uma reunião de afroamericanos numa igreja, onde será discutido um centro comunitário que ainda nem foi construído. A reunião realmente vai acontecer, mas antes disso, Barack tem outro planos.
 
De certa forma, o resultado lembra a trilogia de Richard Linklater iniciada com Antes do Amanhecer. Assim, Michelle e Obama é uma longa discussão sobre questões pessoais, culturais, sociais e políticas, sobre a visão de mundo, bastante parecida, dos dois. Por isso, andam de um lado para outro falando – vão a uma exposição de Ernie Barnes, à reunião na igreja, a um parque, e terminam o dia vendo Faça a Coisa Certa, de Spike Lee.
 
As conversas transitam desde o trabalho duro de Michelle, seus pais idealistas às origens de Barack, problemas na infância e a vida no Havaí e na Indonésia. Um ou outro comentário dá conta, de forma leve, sobre alguma ambição política que ele possa ter. Algumas falas soam como piadas internas para o público do filme: “Você realmente leva jeito para fazer discursos”, diz a moça ao então colega.
 
Por mais que se busque o que havia, na época, de mais humano em Michelle e Barack, o filme, muitas vezes, injeta neles uma aura de quase santidade. São duas grandes figuras do século XXI começando a se moldar naquilo que são hoje. É um excesso de zelo que, às vezes, torna o filme frio e engessado, mas também dá conta de uma época que ficou para trás, e, com a vitória de Trump, ainda mais distante.  

Alysson Oliveira


Trailer


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