Últimos dias no deserto

Ficha técnica


País


Sinopse

Jesus Cristo está no deserto, jejuando e orando, mas em seu caminho encontra uma família. A mãe está doente e o filho adolescente quer se mudar para Jerusalém. Isso é motivo de constante conflito com o pai.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

24/08/2016

Apesar de protagonizado por Jesus Cristo – aqui tratado por seu nome hebraico Yeshua , e interpretado por Ewan McGregor –, Últimos Dias no Deserto está longe de ser um filme cristão, sendo bastante diferente dos recentes e risíveis O Jovem Messias e Ressureição. Escrito e dirigido por Rodrigo García (filho do escritor colombiano Gabriel García Marquez), o longa está mais próximo de A Última Tentação de Cristo do que de qualquer outro – embora aqui não haja a escala épica do filme de Martin Scorsese, pois o diretor opta por um retrato bem mais intimista.
 
O longa já começa com o protagonista no deserto jejuando e orando, esperando por um contato do Pai – que nunca vem. Ele acaba encontrando uma família isolada, composta por um filho adolescente (Tye Sheridan, de A Árvore da Vida), cuja mãe (Ayelet Zurer) está morrendo. O garoto sonha em abandonar o deserto e tentar a vida em Jerusalém. Seu pai (Ciarán Hinds) não concorda com isso, e essa disputa é um motivo de constante tensão entre os dois.
 
Inspirado em passagens da Bíblia – quando Cristo passou 40 dias no deserto e enfrentou três tentações de Satã – , García cria uma fantasia que não quer inventar uma nova interpretação do cânone, mas sim humanizar a figura de Jesus. Ao invés de ler o período como algo simbólico, o diretor representa exatamente a passagem do tempo real.
 
Dessa forma, Últimos Dias no Deserto é um filme sobre um fluxo de vida, sobre o cotidiano, sobre o tempo que nos consome ao o consumirmos – algo bastante humano, aliás. Ao trabalhar com Emmanuel Lubezki na direção de fotografia – veterano de filmes de Terrence Malick, Alfonso Cuarón e Alejandro González Iñárritu – , García transforma a jornada espacial do seu protagonista numa jornada espiritual, e os movimentos da câmera fazem parte desse caminho.
 
A opção por uma linguagem mais próxima da contemporânea – embora a legendagem brasileira tenha optado pelo uso do vós/vos ao invés do você, do original – causa(ria) um estranhamento, mas é uma questão formal que parece não estar muito bem resolvida (nem a versão nacional ameniza isso). A ideia clara é de aproximar Jesus Cristo do mundo contemporâneo, ao mesmo tempo, dizendo que ele era um homem comum. García faz isso muito bem de outras formas ao longo do filme, e muito ajuda a interpretação de McGregor.

Alysson Oliveira


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança