Casamento de verdade

Ficha técnica


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Sinopse

Jenny tem uma vida independente, já passou dos 30, vive feliz com sua companheira Kitty e já prepara seu casamento. Porém, nunca contou a verdade sobre a própria sexualidade a sua família, que sempre tenta empurrá-la para um “bom partido”. Mas chegou a hora e a resposta de seus pais vai criar uma guerra emocional entre eles.


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Crítica Cineweb

24/05/2016

Um dos momentos mais tensos para qualquer pessoa da comunidade LGBTT é o de se abrir honestamente com a família a respeito da própria sexualidade. Um processo delicado e muito difícil que, na maioria dos casos, acaba por expor preconceitos e até violência por parte daqueles que deveriam prestar cuidados incondicionalmente.

A diretora e roteirista Mary Agnes Donoghue (de Paraíso) discute essas relações em Casamento de Verdade, um melodrama com generosas doses de condescendência sobre a situação. Embora não vá a fundo na questão, ainda assim apresenta um olhar delicado sobre o tema.

A história é centrada no drama de Jenny (Katherine Heigl). Com mais de 30 anos, independente e aparentemente bem-resolvida, há cinco anos mora com sua namorada Kitty (Alexis Bledel), com quem pretende se casar. O problema é que ela jamais foi franca com sua família, que tenta sempre empurrar um “bom partido” para a filha solteira, que ainda vive com uma “colega de quarto”.

Como nunca aceita as investidas dos rapazes a ela apresentados, a irmã, Anne (Grace Gummer), e a mãe, Rose (Linda Emond), passam a acreditar que Jenny, na verdade, tem um relacionamento com um homem casado. Uma situação insustentável, que só termina quando Anne flagra a irmã beijando Kitty em uma loja de noivas. É o começo do processo. 

Se Jenny, por um lado, enxerga a revelação com alívio, Rose e Eddie (o pai interpretado por Tom Wilkinson) entram em choque. Não se trata aqui da omissão ou mentira, mas o fato de não tolerarem a filha como lésbica. Logo há um enfrentamento e Jenny, até então sensível e serena, adquire características mercuriais, que produzem um racha na família.

Esse ponto destaca Katherine Heigl, que demonstra uma capacidade surpreendente de alternar insegurança e belicosidade em uma mesma tomada. Os monólogos sobre a necessidade de tolerância se revezam com ataques à própria tolerância. Em questões familiares, ninguém quer ser tolerado, mas amado. E Tom Wilkinson está lá, como opositor, em uma interpretação sólida, assistido por um roteiro afiado.

O talento da dupla e os diálogos, no fim, são os grandes trunfos da produção, que se torna complacente demais com as feridas abertas. Mary Agnes Donoghue apenas arranha a superfície, pois não desenvolve bem os conflitos entre os personagens em relação ao desfecho que apresenta. É doce demais.

Na mesma temática, uma série de outros filmes se mostra mais aguerrida, como C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor (2005), De Repente, Califórnia (2007), Orações para Bobby (2009), ou mesmo o mais recente Azul é a Cor Mais Quente (2013).  

Rodrigo Zavala


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