Voando Alto [2016]

Ficha técnica


País


Sinopse

Tudo o que Michael Edwards, o Eddie, sonha desde garoto é competir nas Olimpíadas. Quando ele é dispensado da equipe britânica de esqui alpino, ele toma uma decisão radical: vai para a Alemanha treinar salto de esqui, uma modalidade em que a Inglaterra ainda não competia. Seu desafio é se superar.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

22/03/2016

No ano em que o Brasil sedia, pela primeira vez, as Olimpíadas, o cinema traz uma história não tão conhecida do público daqui, pois a trajetória do primeiro saltador de esqui a competir pelo Reino Unido nos Jogos Olímpicos de Inverno é muito longínqua para a realidade brasileira. No entanto, o relato sobre o que Michael Edwards, ou simplesmente Eddie “The Eagle” – a águia, em inglês – (Taron Egerton), realizou em Calgary, no Canadá, em 1988, e como chegou até lá é uma das mensagens mais honestas do espírito olímpico defendido pelo Barão de Courbertin, fundador dos Jogos da era moderna.
 
Ainda que os fatos sejam suficientemente surpreendentes, Voando Alto ainda toma algumas liberdades para acentuar mais cores à vida do atleta azarão, um semiamador que atraiu grande parte dos holofotes em 1988, mesmo ano em que outros outsiders fizeram história e ganharam também um filme: a edição de Calgary trouxe a equipe de bobsled de Jamaica Abaixo de Zero (1993), hit do qual este filme guarda suas similaridades.
 
Com um rápido olhar para sua infância e adolescência, o longa já apresenta o sonho antigo de Eddie (interpretado, respectivamente, pelos irmãos Tom Costello Jr. e Jack Costello nestas fases) de se tornar um atleta olímpico, mesmo com sua inaptidão física na época, que ia muito além de seus famosos óculos grandes. Entre a descrença do pai (Keith Allen), que desejava que o filho seguisse seus passos como gesseiro, e o apoio irrestrito da mãe (Jo Hartley) em suas aventuras esportivas, o atrapalhado e esforçado rapaz treinou durante alguns anos na equipe britânica de esqui alpino downhill. Logo que foi dispensado, encontrou em uma modalidade não praticada no país a possibilidade de finalmente ir para as Olimpíadas: o salto de esqui.
 
Para isso, foi com a cara e a coragem para a Alemanha, a fim de iniciar seus treinamentos tardios. É lá que ele encontra o ex-atleta promissor norte-americano Bronson Peary (Hugh Jackman) como um motorista de trator bêbado que tem, na chance de ensinar os truques do esporte a Eddie, uma forma de redenção. O saltador, porém, enfrenta diversas limitações, não só por ser iniciante na prática, mas também os olhares dos colegas de competição e a má vontade e descrença do comitê olímpico nacional.
 
Daí, já é perceptível a simplificação dos oponentes do protagonista, seja nas rampas ou na burocracia, vista no roteiro dos estreantes Sean Macaulay e Simon Kelton, que não se furta em usar e abusar da cartilha dos filmes de esportes. Da mesma maneira, é utilizada a velha trama do underdog e seu viés motivacional. Porém, o cineasta Dexter Fletcher, ator de Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998) que já dirigira dois longas que não foram lançados aqui, converte o que seria repetitivo nesses clichês em charme, por meio do sincero otimismo e do típico humor inglês, que conferem à obra uma intenção de paródia do gênero.
 
Observa-se isso tanto no tratamento da entrada do personagem de Jackman na história, com o ar de caubói que é próprio do ator australiano provocando uma excitação certeira na plateia de que “o Wolverine está chegando”, quanto na pequena participação de Christopher Walken na pele do antigo e renomado técnico de Peary, carregada de sua peculiar excentricidade. O tom jocoso continua na recriação do universo oitentista, com a citação à mulher fatal da época, Bo Derek, as fontes estilizadas dos GC’s e a trilha sonora de teclados e sintetizadores, com o trabalho de Matthew Margeson ecoando Vangelis e seu tema de Carruagens de Fogo (1981) e a seleção musical encaixando precisamente canções de Van Halen a Hall & Oates.
 
A fotografia centralizada de George Richmond complementa esse intuito, mas sem deixar de lado a tensão natural de um esporte tão perigoso, ao explorar os efeitos de vertigem junto com a edição rápida de Martin Walsh. Igualmente, as brincadeiras não tiram a eficiência da criação deste Eddie cinematográfico por Egerton, cujo trabalho corporal aparece com as fotos reais do saltador no final e se distancia bastante de seu papel em Kingsman: Serviço Secreto (2015). Ainda assim, é fazendo igual ao seu retratado, dando o seu melhor dentro de suas limitações, que a leveza e despretensão de Voando Alto pode conquistar o público.

Nayara Reynaud


Trailer


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